Poesia

Ai meu Portugal

Spread the love





FRAGMENTOS DO CAOS · POESIA · 1 NOVEMBRO 2026

Ai meu Portugal

Ai meu Portugal,
debruçado sobre o mar,
com tanto mundo nos olhos
e tão pouco chão para ficar.

«Pobres, mas lavadinhos»,
rezava a antiga lição;
a camisa vinha branca,
a mesa ficava sem pão.

«Não te metas na política»,
aconselhavam à janela.
E a vida era decidida
por quem tinha a chave dela.

Agora a praça pede casa,
um teto para existir.
Por que vem primeiro a força
e a resposta está por vir?

Há pastas cheias de espera,
há palavras com brasão;
e gente a gastar uma vida
à porta de uma decisão.

Mas conheço-te nas mãos
de quem chega e põe a mesa,
puxando mais uma cadeira
apesar da sua pobreza.

Conheço-te naquela voz
que do fundo da praça vem:
«Mostrem-me os factos», insiste,
sem baixar os olhos a ninguém.

Há um Abril por cumprir
em cada porta fechada,
em cada pessoa que espera
ter a sua voz escutada.

Ai meu Portugal,
ainda te quero bem.
É por amor que te pergunto:
que país deixas a quem vem?

Augustus Veritas · Fragmentos do Caos


🌌 Fragmentos do Caos: Blogue • Ebooks • Carrossel

Francisco Gonçalves, com mais de 40 anos de experiência em software, telecomunicações e cibersegurança, é um defensor da inovação e do impacto da tecnologia na sociedade. Além da sua actuação empresarial, reflecte sobre política, ciência e cidadania, alertando para os riscos da apatia e da desinformação. No seu blog, incentiva a reflexão e a acção num mundo em constante mudança.

Contactos