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Portugal, um Estado de “Falência” Permanente
BOX DE FACTOS Prejuízo global: 1.312 milhões de euros em 2024 nas empresas não financeiras do Sector Empresarial do Estado (SEE). Agravamento: mais 546 milhões de euros de prejuízos face a 2023. Empresas em falência técnica: 35 em 2024, mais 6 do que no ano anterior, com capitais próprios negativos. Empresas com resultados positivos: 36 entidades, com 565 milhões de euros de lucros agregados. Empresas com prejuízos: 52 entidades, com perdas combinadas de 1.900 milhões de euros. Saúde pública: cerca de 93% do resultado líquido negativo do SEE concentra-se no sector da saúde, com 1.700 milhões de euros de prejuízos. Rácios “bonitos” em papel: autonomia financeira de 27,7% e solvabilidade…
- Assalto a "coisa pública", Corrupção, Crime Organizado, Elites patéticas, Manipulação da verdade, Mediocridade, Nepotismo
Parvalorem: o cemitério tóxico onde enterraram a vergonha da República
BOX DE FACTOS Parvalorem é uma empresa pública criada em 2010 para gerir os activos tóxicos do falido BPN, incluindo imóveis e créditos em incumprimento. É hoje um dos maiores devedores ao próprio Estado português, concentrando uma fatia significativa dos empréstimos públicos ao sector empresarial do Estado. Tem capital próprio fortemente negativo, sendo classificada como uma das empresas estatais em situação financeira mais crítica, ao lado da TAP. Desde 2008, o custo global dos apoios à banca ultrapassa os 21–22 mil milhões de euros líquidos para o Estado. Está em curso um processo de liquidação da Parvalorem, com horizonte de encerramento até final de 2027, acompanhado por programas de rescisões…
- Artificial Intelligence, Biologia e biotecnologia, Ciência, ficção científica, Filosofia, humanidade
António Damásio e o Fantasma de Silício: Porque a Consciência Artificial Ainda Não Nasceu
BOX DE FACTOS António Damásio defende que a consciência nasce dos sentimentos: são a expressão mental da vida do corpo em homeostase. Sem corpo vulnerável, sem metabolismo e sem afectos, a “inteligência” permanece apenas cálculo sofisticado, não experiência sentida. A IA actual manipula símbolos e padrões, mas não sabe o que é ter um corpo que pode adoecer, sofrer ou morrer. Fazer uma consciência artificial exigiria máquinas com corpo próprio, história própria e um teatro interior de sentimentos — algo muito além dos algoritmos de hoje. O perigo imediato não é uma máquina consciente que nos domina, mas sim humanos distraídos que confundem simulação com consciência e delegam decisões morais…
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“Quem Nos Viu e Quem Nos Vê” : Da Canção de Intervenção à Democracia de Plástico
BOX DE FACTOS Origem: Canção de intervenção de José Jorge Letria, início dos anos 70, em plena ditadura. Ideia central: O choque entre o que fomos e o que nos tornámos – individual e colectivamente. Contexto histórico: Do antes do 25 de Abril à ilusão democrática e ao conforto partidário do pós-revolução. Actualidade: Meio século depois, a pergunta permanece: quem nos viu e quem nos vê numa democracia capturada por aparelhos, clientelas e carreiras políticas. Esta crónica: Usa o espírito da canção como espelho cruel da realidade portuguesa em 2025. Quem Nos Viu e Quem Nos Vê: Da Canção de Intervenção à Democracia de Plástico Há um verso antigo que…
- Assalto a "coisa pública", Corrupção, Democracia e Sociedade, Mediocridade, Nepotismo, Novas formas domesticar opiniões
50 anos depois de “É preciso avisar toda a gente”
BOX DE FACTOS Luís Cília viveu no exílio em Paris antes do 25 de Abril, onde musicou poemas politicamente comprometidos com a luta contra a ditadura em Portugal. “É preciso avisar toda a gente” nasce nesse contexto de exílio, a partir de um poema de João Apolinário, como grito de alerta e de resistência. Meio século depois, a canção mantém uma inquietante actualidade num país formalmente democrático, mas marcado por desigualdade estrutural, corrupção e mediocridade política. O texto reivindica escrever e publicar livremente como herança do espírito de Abril e continuação do gesto de “avisar toda a gente” no século XXI. É preciso, imperioso e urgente Nascida no exílio em…
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O Espírito das Patranhas e a Obra Biológica do Cérebro
Entre o negócio das almas e a verdade da carne que pensa A velha farsa da eternidade Durante séculos, repetiram-nos a mesma ladainha: existe uma alma imortal, uma centelha divina que sobrevive à morte e que nos garante reencontros, castigos ou recompensas num além nebuloso. Vestiram-na de mil nomes — espírito, essência, energia, reencarnação, vida eterna. Tudo variações de uma mesma patranha: distrair o povo da miséria terrena com promessas celestes. É o truque mais antigo da História: oferecer o paraíso amanhã para que aceites o inferno hoje. O cérebro herege A neurociência moderna, de António Damásio a tantos outros, já demonstrou: O que chamamos “espírito” é apenas a forma…
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O Comendador dos Mil Milhões e o País dos Tolos
BOX DE FACTOS As dívidas do universo empresarial de Joe Berardo à CGD, BCP e BES/Novo Banco somam cerca de mil milhões de euros, resultantes sobretudo de financiamentos para compra de acções do BCP em 2007. O Ministério Público acusa Berardo e dois advogados de burla qualificada, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada, por um esquema destinado a impedir os bancos de recuperarem os créditos. Cerca de 2.200 obras de arte das colecções de Berardo foram arrestadas, incluindo as 862 obras da antiga Colecção Berardo no CCB. O antigo Museu Colecção Berardo foi extinto e deu lugar ao MAC/CCB – Museu de Arte Contemporânea e Centro de Arquitectura, que…
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Europa, spa de reciclagem dos políticos falhados
BOX DE FACTOS Todos os presidentes do Conselho Europeu foram antigos chefes de governo nacionais, transformando Bruxelas numa espécie de promoção automática para políticos já gastos. Vários ex-líderes europeus passaram por cargos bem pagos em bancos de investimento, grandes empresas e lóbis, num padrão de portas giratórias cada vez mais criticado. A União Europeia acumula relatórios e decisões da Provedora de Justiça sobre conflitos de interesses mal geridos em movimentos de “revolving door”. A distância entre o cidadão e as instituições europeias cresce à medida que Bruxelas se converte em refúgio dourado para elites políticas em fim de ciclo. O resultado é um défice de confiança: uma Europa que se…
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António Costa: de deixar Portugal de rastos a herói cansado da Europa
António Costa: de deixar Portugal de rastos a herói cansado da Europa Depois de quase uma década a governar um país cada vez mais pobre, desigual e desconfiado do seu próprio Estado, António Costa apresenta-se agora em Bruxelas como estadista sereno, presidente do Conselho Europeu e guardião da “estabilidade”. Na entrevista, o maior desafio do seu ano não é a pobreza estrutural que deixou atrás de si, mas Trump. Conveniente. A arte de falhar em casa e subir na Europa António Costa governou Portugal entre 2015 e 2024. Saiu de cena na sequência de um escândalo político-judicial, deixando para trás um país com serviços públicos exaustos, salários comprimidos, jovens a…
- Democracia e Sociedade, Domesticação mentes, Elites patéticas, Manipulação da verdade, Mediocridade, Nepotismo
Portugal: Manual prático de maquilhagem orçamental
BOX DE FACTOS O Governo anuncia um excedente público de mais de quatro mil milhões de euros até Outubro, em óptica de caixa. Parte do “milagre” resulta de medidas temporárias em IRS e pensões, e de efeitos de calendário. A receita fiscal sobe mais 2,4 mil milhões, com o IVA a render mais 1,7 mil milhões – sobretudo à custa do consumo. A Segurança Social e as autarquias têm excedentes robustos, enquanto a Administração Central continua em défice. A maquilhagem orçamental faz-se com jargão técnico, escolhas convenientes de métricas e muita gestão de percepção pública. Manual prático de maquilhagem orçamental: como transformar impostos em excedentes épicos Se é para mentir…




























