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Banco de Portugal, Mário Centeno e a velha aristocracia das mordomias
BOX DE FACTOS • O Banco de Portugal invoca um regime de aposentação próprio: aplicável a trabalhadores admitidos até 2 de Março de 2009. • Mário Centeno enquadra-se formalmente nesse regime: porque trabalhou no BdP desde 2000, antes de ser governador. • A questão central não é apenas jurídica: é política, moral e simbólica, num país onde milhões trabalham até perto dos 67 anos. • No sector privado não há almofadas institucionais: há mercado, pressão, risco, despedimento e desgaste sem poesia de gabinete. • O escândalo não nasce apenas do mecanismo: nasce do fosso obsceno entre o país real e os corredores protegidos do poder. Banco de Portugal, Mário Centeno…
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A IA Sai da Nuvem e Senta-se à Secretária
BOX DE FACTOS DGX Spark: a NVIDIA empurra a IA de alto desempenho para o desktop. DGX Station: a workstation deixa de ser mero posto de trabalho e aproxima-se de um nó de datacenter. DeepSeek V3.2: o modelo ganha tool-use, raciocínio mais estruturado e maior utilidade prática. DeepSeek e contexto longo: a eficiência em texto extenso deixa de ser luxo e começa a ser ferramenta. O sinal maior: a IA regressa ao local, aos dados, ao controlo e à soberania tecnológica. A IA Sai da Nuvem e Senta-se à Secretária Durante demasiado tempo, a inteligência artificial viveu longe, fria, cara e remota. Agora começa a descer à mesa de trabalho,…
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A Humanidade perante a IA: reinventar-se ou tornar-se irrelevante
BOX DE FACTOS • A IA não é apenas uma tecnologia: é uma força de reorganização do trabalho, da educação, da criatividade e do poder. • O risco maior não é a máquina tornar-se inteligente: é a humanidade permanecer intelectualmente preguiçosa, moralmente estéril e politicamente medíocre. • O trabalho repetitivo tenderá a perder valor: subirão de importância o pensamento crítico, a visão, a ética, a invenção e a sensibilidade. • A educação actual está atrasada: continua demasiadas vezes a formar executores obedientes em vez de consciências criadoras. • A grande pergunta do século XXI não é tecnológica: é civilizacional — saber se usaremos a IA para nos tornarmos mais humanos…
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Ensaio – Quando a Honestidade Começa a Corar
BOX DE FACTOS Quando o Estado de direito enfraquece, cresce a corrupção, baixa a confiança e o cinismo instala-se. Sociedades onde os indignos prosperam não degradam apenas instituições: degradam a moral pública. A pior vitória dos maus não é ocupar o poder — é convencer os bons de que a virtude é inútil. Sem responsabilidade, transparência e justiça, a honestidade começa a parecer ingenuidade. Uma civilização entra em decomposição quando o homem recto se sente deslocado dentro da própria pátria. Quando a Honestidade Começa a Corar Há frases que não envelhecem porque a realidade se encarrega de as manter em sangue quente. A de Rui Barbosa é uma delas: não…
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Combustíveis: A Guerra Como Desculpa e o Truque de Magia dos Governos
BOX DE FACTOS Quando há guerra no Médio Oriente, os governos apressam-se a dizer que “nada podem fazer”. Mas o preço na bomba não resulta apenas do crude: entram derivados, refinação, logística, margens, impostos e IVA. O gasóleo pode disparar mais do que a gasolina porque o mercado do diesel é mais vulnerável e mais apertado na Europa. Em Portugal, o Estado apresenta pequenos descontos no ISP como gesto heróico, enquanto continua a beneficiar do IVA cobrado sobre preços mais altos. A magia política consiste nisto: transformar escolhas fiscais e fragilidades estruturais em fatalidades geopolíticas. Combustíveis: A Guerra Como Desculpa e o Truque de Magia dos Governos Sempre que o…
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Uma civilização ocidental perdida : Quando as Causas Degeneram em Catecismos
BOX DE FACTOS Quando a cultura política enfraquece, os slogans ocupam o lugar do pensamento. Muitas causas legítimas são capturadas por aparelhos ideológicos que preferem a exibição moral à transformação real. Os jovens, sem formação histórica, filosófica e cívica robusta, tornam-se mais vulneráveis a tribos emocionais e catecismos identitários. A polarização cultural alimenta-se de algoritmos, performatividade, ressentimento e vazio civilizacional. Uma democracia sem profundidade intelectual acaba por trocar cidadãos livres por militantes de reflexo condicionado. Quando as Causas Degeneram em Catecismos Há causas justas. E depois há liturgias ideológicas que usam essas causas como máscara, uniforme e instrumento de recrutamento emocional. O drama do nosso tempo não está apenas na…
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Portugal : De Ormuz ao Encolher dos Ombros
BOX DE FACTOS Portugal conquistou Ormuz em 1507 sob a liderança de Afonso de Albuquerque e consolidou o seu domínio em 1515. Ormuz era uma das chaves do comércio entre a Pérsia, a Índia e o Oceano Índico, na entrada do Golfo Pérsico. O império português no Oriente funcionava como uma rede de fortalezas, portos e pontos de estrangulamento marítimo. A perda de Ormuz em 1622 para forças anglo-persas simbolizou a erosão do poder estratégico português no Oriente. O maior drama português não foi apenas perder posições no mundo, mas perder a ambição civilizacional que as tornou possíveis. De Ormuz ao Encolher dos Ombros Houve um tempo em que Portugal…
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Somos Fragmentos do Caos- Faz um ano que publicamos textos incómodos, livres e frontalmente críticos
NOTA EDITORIAL Faz um ano que publicamos textos incómodos, livres e frontalmente críticos. Portugal responde com a sua elegância habitual: boceja, desvia os olhos e volta ao prato requentado dos comentadores de serviço. Os leitores estrangeiros chegam com mais curiosidade do que muitos compatriotas anestesiados. Eça de Queirós continua, como sempre, a escrever editoriais póstumos sobre este país. Um anno a escrever para acordados num país que prefere a sesta Em Portugal, a verdade pode publicar-se. O difícil é competir com a eterna programação nacional: sonolência cívica, comentariado avençado e a venerável arte de não querer saber. Faz um ano que aqui publicamos textos de verdade, de combate e de…
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Europa: o Continente da Hesitação numa Era de Predadores
BOX DE FACTOS Ursula von der Leyen admitiu que a UE já não pode confiar apenas na antiga ordem “baseada em regras”. A Europa tornou-se o maior importador mundial de armas no período 2021-2025, revelando dependência externa em matéria de defesa. Kaja Kallas alertou que os EUA procuram dividir a Europa, enfraquecendo a sua capacidade de resposta comum. O BCE prevê crescimento modesto da zona euro em 2026, insuficiente para uma resposta histórica ambiciosa sem verdadeira vontade política. António Costa e Volodymyr Zelensky alertaram que a guerra no Médio Oriente está a beneficiar a Rússia e a desviar foco e meios da Ucrânia. Europa: o Continente da Hesitação numa Era…
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Portugal : O País Que Perdoa Sempre ao Mesmo Rosto
BOX DE FACTOS Marcelo cultivou uma imagem pública de proximidade, “selfies” e “afectos”, amplamente explorada mediaticamente. O caso das gémeas luso-brasileiras tornou-se uma das maiores sombras políticas da sua presidência. A polémica da indemnização de Alexandra Reis mostrou, mais uma vez, um Presidente omnipresente no comentário e na gestão do dano político. Parte relevante do jornalismo português preferiu a narrativa afectiva ao escrutínio severo. O problema não é apenas um homem: é um país treinado para desculpar o poder quando este se apresenta com simpatia televisiva. O País Que Perdoa Sempre ao Mesmo Rosto Em Portugal, o poder não precisa de ser exemplar: basta-lhe ser afável, fotogénico e omnipresente. E…





























