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Porque Escrevemos: A Nau Ainda Range ao Vento
Porque escrevemos Escrevemos porque o silêncio, por vezes, é cúmplice. Escrevemos porque há países que adormecem lentamente, embalados por discursos, promessas e pequenas resignações diárias. Escrevemos para acender uma lanterna no nevoeiro, mesmo sabendo que o nevoeiro não gosta de luz. Escrevemos porque a memória precisa de voz, a indignação precisa de forma e a esperança precisa de não ser abandonada aos contabilistas do impossível. Não escrevemos para agradar. Escrevemos para pensar. Para ferir a mentira com palavras limpas. Para lembrar que uma nação sem dúvida, sem crítica e sem imaginação acaba sempre em manutenção sem tempo. Escrevemos porque ainda há madeira na nau. E porque, enquanto ela ranger ao…
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Da mui nobre nação que descobriu o caminho marítimo para a burocracia
Os Lusitanos Desenrascados Canto I — Da mui nobre nação que descobriu o caminho marítimo para a burocracia Uma adaptação livre, humorística e cáustica do espírito épico dos Lusíadas, transplantado para o Portugal dos portais, senhas, pareceres, comissões e reformas estruturais que chegam sempre atrasadas à própria inauguração. As senhas e os balcões assinalados, Que da ocidental praia lusitana, Por mares de papéis nunca dobrados, Foram além da lógica humana; E entre recibos verdes mal pagos, Portais que falham pela manhã ufana, Mais do que prometia a força humana, Fundaram a República da Tramóia Urbana. E também as memórias gloriosas Daqueles que, com carimbo e parecer, Construíram reformas nebulosas Que…
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A República do Guardanapo Amassado
A República do Guardanapo Amassado Crónica tragicómica sobre políticos, partidos e outros fenómenos meteorológicos da democracia portuguesa Há países que têm História. Portugal tem actas, comissões parlamentares, pareceres jurídicos, inquéritos, contra-inquéritos, audições, fugas de informação, conferências de imprensa e um senhor muito sério a dizer que “é preciso deixar trabalhar as instituições”. As instituições, coitadas, trabalham. Trabalham tanto que chegam sempre cansadas ao momento da verdade. E quando finalmente chegam, a verdade já prescreveu, mudou de morada fiscal ou está em Bruxelas com crachá diplomático. Portugal não é uma república. É uma sala de espera com bandeira. No centro do palco está sempre o político português, esse animal mitológico meio…
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Portugal: A Fábrica Política de Produção de Pobres
BOX DE FACTOS Segundo a AIMA, Portugal registava 1.543.697 cidadãos estrangeiros a residir no país a 31 de Dezembro de 2024. Esse número inclui cidadãos com título de residência válido, protecção temporária, manifestações de interesse atendidas, regularizações CPLP e outras situações administrativas. A AIMA indicou que 85,5% da população estrangeira residente era potencialmente activa, com forte peso do grupo etário dos 18 aos 34 anos. Segundo dados divulgados pelo Observatório das Migrações e noticiados pela RTP/Lusa, os estrangeiros representaram 14% das contribuições para a Segurança Social em 2025, com mais de 4,15 mil milhões de euros. A Reuters descreveu em 2024 a vulnerabilidade particular dos migrantes perante a crise da…
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O Negócio da Colaboração: Open-Source, Inteligência Colectiva e o Futuro da Humanidade
BOX DE FACTOS O open-source tornou-se uma das maiores infra-estruturas invisíveis da civilização digital. A colaboração em rede permite transformar conhecimento disperso em inovação acumulada. A Comissão Europeia reconheceu o impacto do open-source na independência tecnológica, competitividade e inovação. O World Bank defende o open-source como caminho para bens públicos digitais reutilizáveis. A inteligência artificial aberta poderá ampliar ainda mais esta lógica colaborativa, se não for capturada por novos monopólios. O Negócio da Colaboração O futuro talvez não pertença às empresas que melhor fecham o conhecimento, mas às comunidades que melhor o fazem circular. Há negócios que vendem objectos, serviços, imagens, ilusões ou dependências. E há negócios mais raros, quase…
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Amolgados pela vida, mas não homologados pela mediocridade. A integridade não tem certificado
📷 Amolgados pela vida, mas não homologados pela mediocridade. A integridade não tem certificado. Amolgados, mas não homologados Ensaio sobre a resistência elegante à domesticação da consciência — e o riso como insurreição Há uma espécie de gente que a vida tentou dobrar, mas não conseguiu arquivar. Gente que atravessou décadas de trabalho duro, repartições com cheiro a papel cansado, chefias com ar de carimbo, bancos com gravata e alma hipotecada, sistemas feitos para esmagar o pensamento livre e aquela mediocridade nacional que se apresenta sempre bem penteada, com discurso sério e ausência total de vergonha. Essa gente chega a certa altura da vida com mossas, sim. Com riscos na…
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Os Intelectuais de Aquário e o Espírito Crítico que Ficou à Porta
BOX DE FACTOS A democracia necessita de espírito crítico como o corpo necessita de oxigénio. Uma parte da intelectualidade portuguesa transformou-se em ornamento do regime. Agostinho da Silva representa uma visão livre, criadora e profundamente heterodoxa do pensamento. O verdadeiro intelectual não serve o poder: serve a liberdade. Uma democracia sem imaginação corre o risco de se transformar numa repartição iluminada. Os Intelectuais de Aquário e o Espírito Crítico que Ficou à Porta Há países que produzem pensamento. Outros produzem comentadores. Portugal, com o seu antigo talento para transformar tragédia em protocolo e mediocridade em carreira, tem vindo a especializar-se numa espécie curiosa: o intelectual domesticado. Não é exactamente o…
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Portugal: o país que confundiu futuro com orçamento
BOX DE FACTOS A OCDE reconhece que Portugal teve desempenho económico resiliente, mas alerta para envelhecimento, escassez de mão-de-obra, habitação cara, produtividade e necessidade de reformas estruturais. O FMI assinala o bom desempenho macroeconómico recente: crescimento acima da média da zona euro, excedente orçamental, dívida pública em queda e emprego forte. A Comissão Europeia classifica Portugal como Moderate Innovator, com desempenho de inovação em 90,7% da média da União Europeia em 2025. A mesma Comissão aponta uma produtividade laboral de apenas 45,6% da média da União Europeia no quadro do European Innovation Scoreboard 2025. O relatório Digital Decade 2025 indica que a despesa nacional em I&D foi 1,7% do PIB…
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Portugal- O Sol do Cidadão e a Gorjeta do Monopólio
BOX DE FACTOS Um pequeno produtor injectou na rede cerca de 337,929 kWh de excedentes solares. A autofactura emitida pela EDP Comercial atribuiu a esse excedente o valor total de 3,00 €. O preço efectivo pago foi, portanto, de aproximadamente 0,0089 €/kWh, menos de um cêntimo por kWh. Na factura de consumo, o mesmo consumidor paga energia à razão de 0,1671 €/kWh. Resultado: a energia comprada à EDP custa cerca de 19 vezes mais do que a energia solar vendida pelo pequeno produtor. O Sol do Cidadão e a Gorjeta do Monopólio Em Portugal, até o sol, quando entra na rede, aprende depressa quem manda. Nasce livre no telhado do…
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A Igreja Católica e a Civilização Ocidental : Entre a Biblioteca e o Tribunal
BOX DE FACTOS Após o colapso do Império Romano do Ocidente, a Igreja Católica tornou-se uma das poucas instituições com continuidade territorial, administrativa e cultural. Mosteiros, dioceses e escolas eclesiásticas ajudaram a preservar manuscritos, língua latina, práticas administrativas e alguma memória do mundo clássico. A Igreja foi matriz de educação, assistência, moral social, arquitectura, música, arte e direito canónico. Mas foi também uma estrutura de poder, censura, perseguição doutrinal e controlo intelectual. A civilização ocidental nasceu, em larga medida, deste paradoxo: a Igreja guardou parte da luz antiga, mas nem sempre deixou a luz circular livremente. A Igreja Católica e a Civilização Ocidental: Entre a Biblioteca e o Tribunal A…





























