-
Se Jorge de Sena visse esta democracia capturada!
Se Jorge de Sena visse esta democracia capturada Portugal não era apenas governado por regimes; era muitas vezes governado por mentalidades. E as mentalidades, essas, sobrevivem a revoluções, constituições, partidos e discursos. Nota de abertura: Esta crónica não pretende imitar Jorge de Sena, porque transformar um escritor dessa grandeza num boneco de ventríloquo literário seria uma pequena indecência, muito ao gosto das épocas que dizem venerar os grandes mortos enquanto ignoram os vivos incómodos. O que aqui se procura é outra coisa: convocar, perante a democracia portuguesa capturada por interesses, clientelas e mediocridade organizada, o eco da sua severidade moral, da sua inteligência ferida e da sua relação amarga com…
-
Gerações com Diploma, Mas Sem Bússola: A Infantilização Cívica no Declínio das Democracias
BOX DE FACTOS Segundo a OCDE, em Portugal, a proporção de jovens dos 25 aos 34 anos com ensino superior subiu de 38% em 2019 para 43% em 2024. A mesma OCDE assinala que Portugal continua abaixo da média da OCDE em qualificação superior adulta, apesar do progresso recente. Nos resultados PISA 2022, os alunos portugueses ficaram perto da média da OCDE em matemática, leitura e ciência, mas os resultados baixaram face a avaliações anteriores. A OCDE indica também que 46% dos adultos portugueses entre os 25 e os 64 anos têm competências de literacia no nível 1 ou abaixo, acima da média da OCDE. A Freedom House registou em…
-
A Banca Tradicional e a Árvore das Patacas: Quando a Mediocridade Descobre a Concorrência Digital
BOX DE FACTOS O Banco de Portugal indicou que, no 3.º trimestre de 2025, o sistema bancário português mantinha elevada rendibilidade, com ROA de 1,35%. Segundo dados sectoriais divulgados pela imprensa económica, a banca portuguesa encerrou 801 agências e reduziu cerca de 3.700 trabalhadores em cinco anos. Desde 2013, a rede bancária portuguesa reduziu fortemente o número de balcões, reflectindo reestruturação, digitalização e alteração dos hábitos dos clientes. A Revolut indicou ter 2,3 milhões de clientes em Portugal e objectivo de chegar a 2,5 milhões em 2026. O banco digital quer crescer em produtos de poupança e, no futuro, entrar também em áreas tradicionalmente dominadas pela banca clássica, como o…
-
Portugal com Futuro: a revolução simples de pôr os competentes a governar
Portugal com Futuro: a revolução simples de pôr os competentes a governar Portugal ainda pode ter futuro. Mas não será por milagre, nem por decreto, nem por mais um plano estratégico adormecido numa gaveta. Será quando o país retirar poder a quem falha e o entregar a quem sabe produzir resultados. Nota de abertura: O futuro de Portugal não depende de mais promessas. Depende de uma ruptura moral: retirar poder a quem falha, promover quem entrega resultados e transformar a competência numa regra de governação, gestão e liderança. Portugal ainda pode ter futuro. A frase parece quase uma provocação, porque durante demasiadas décadas o país fez tudo para a desmentir…
-
Um Portugal com Futuro: a mudança que importa
Portugal com Futuro: a mudança que importa Portugal não precisa de imaginar outro país. Precisa de ter a coragem de se tornar finalmente no país que promete ser. Nota de abertura: Portugal precisa de futuro. Não de mais promessas sobre o futuro, não de mais planos estratégicos com capas lustrosas, não de mais slogans escritos por consultores que nunca tiveram de esperar por uma consulta, por uma sentença ou por uma resposta da Administração Pública. Precisa de futuro real. Daqueles que se constroem com trabalho, competência, coragem política, justiça funcional, escola exigente, economia produtiva, Estado eficiente e cidadãos que deixam de aceitar a mediocridade como se fosse património imaterial da…
-
Risco Máximo para Quem? A pedagogia do fogo num país que continua a arder
Risco Máximo para Quem? A pedagogia do fogo num país que continua a arder Portugal comunica o risco como se fosse eficiência, combate o fogo como se fosse destino e falha a prevenção como se fosse uma fatalidade meteorológica. O resultado é conhecido: todos os anos o país recebe o verão com mapas vermelhos, discursos sérios e território pronto a arder. Nota de abertura: O problema não está em informar os cidadãos sobre o perigo de incêndio. Informação pública é necessária. O problema começa quando essa informação se transforma em espectáculo repetido, paternalismo oficial e substituto da prevenção estrutural. Todos os verões se grita “risco máximo”; todos os invernos se…
-
Portugal em Modo Esmola: tragicomédia nacional em vários actos e muitos recibos
Portugal em Modo Esmola: tragicomédia nacional em vários actos e muitos recibos O país do chapéu na mão, da festa no quintal e da estratégia integrada para justificar porque nada mudou. Uma fábula nacional para adultos cansados, contribuintes pacientes e futuros adiados. Nota de abertura: Portugal não tem problema em receber ajuda. O problema começa quando transforma a ajuda em rotina, a rotina em cultura e a cultura em desculpa. A Europa manda fundos, o país promete futuro, mas demasiadas vezes entrega remendos, inaugurações, consultorias, rotundas, discursos e uma nova temporada do fado do desgraçadinho. Portugal descobriu há décadas uma forma muito original de estar no mundo: não como país…
-
A Ambição Medíocre do Poucochinho: Portugal, a arte de sonhar de joelhos
A Ambição Medíocre do Poucochinho: Portugal, a arte de sonhar de joelhos Portugal não precisava de ideologia para explicar o seu atraso. Bastava-lhe esta doutrina nacional: sonhar pequeno, prometer devagar e chamar prudência à falta de coragem. Nota de abertura: A ambição do poucochinho é a forma elegante da resignação portuguesa. Não grita, não incomoda, não assusta os instalados. Apenas administra o atraso, com bons modos, linguagem técnica e calendário eleitoral. Portugal tem uma doença antiga, persistente e perigosamente bem vestida: a ambição do poucochinho. Não é pobreza material. Essa existe, pesa, humilha e condiciona vidas. Mas há coisa pior: a pobreza de horizonte. A incapacidade de imaginar grande. A…
-
O Estado como Abrigo dos Seus: Privilégios Antigos numa Democracia Cansada
BOX DE FACTOS A chamada antiga “licença sem vencimento” é hoje geralmente enquadrada, na Administração Pública, como licença sem remuneração, prevista na Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas. A DGAEP indica que a concessão da licença sem remuneração determina a suspensão do vínculo de emprego público. Segundo a DGAEP, em certas licenças, nomeadamente licenças fundadas em circunstâncias de interesse público, licenças inferiores a um ano, acompanhamento de cônjuge colocado no estrangeiro por período inferior a dois anos ou exercício de funções em organismos internacionais, o trabalhador tem direito a ocupar um posto de trabalho no respectivo serviço quando a licença termina. Noutras licenças, nomeadamente superiores a um ano, o…
-
Portugal – Formamos talento, exportamos futuro. O país que despreza os seus melhores
📷 Formamos talento, exportamos futuro. O país que despreza os seus melhores. O talento que o país despreza: porque os melhores não conseguem singrar em Portugal Ensaio sobre a armadilha portuguesa: uma geração qualificada, uma economia que a ignora e um sistema que a expulsa Crescemos a ouvir a promessa: “Estuda, esforça-te, tira boas notas, e terás uma vida melhor.” Durante décadas, este foi o contrato social implícito entre gerações. Hoje, para a geração mais qualificada da nossa história, essa promessa soa a um eco distante. O contrato foi quebrado[reference:0]. Portugal formou a geração mais qualificada de sempre — com uma taxa de escolarização superior de 43,2% entre os 25…





























