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Portugal : De Ormuz ao Encolher dos Ombros
BOX DE FACTOS Portugal conquistou Ormuz em 1507 sob a liderança de Afonso de Albuquerque e consolidou o seu domínio em 1515. Ormuz era uma das chaves do comércio entre a Pérsia, a Índia e o Oceano Índico, na entrada do Golfo Pérsico. O império português no Oriente funcionava como uma rede de fortalezas, portos e pontos de estrangulamento marítimo. A perda de Ormuz em 1622 para forças anglo-persas simbolizou a erosão do poder estratégico português no Oriente. O maior drama português não foi apenas perder posições no mundo, mas perder a ambição civilizacional que as tornou possíveis. De Ormuz ao Encolher dos Ombros Houve um tempo em que Portugal…
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Somos Fragmentos do Caos- Faz um ano que publicamos textos incómodos, livres e frontalmente críticos
NOTA EDITORIAL Faz um ano que publicamos textos incómodos, livres e frontalmente críticos. Portugal responde com a sua elegância habitual: boceja, desvia os olhos e volta ao prato requentado dos comentadores de serviço. Os leitores estrangeiros chegam com mais curiosidade do que muitos compatriotas anestesiados. Eça de Queirós continua, como sempre, a escrever editoriais póstumos sobre este país. Um anno a escrever para acordados num país que prefere a sesta Em Portugal, a verdade pode publicar-se. O difícil é competir com a eterna programação nacional: sonolência cívica, comentariado avençado e a venerável arte de não querer saber. Faz um ano que aqui publicamos textos de verdade, de combate e de…
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Europa: o Continente da Hesitação numa Era de Predadores
BOX DE FACTOS Ursula von der Leyen admitiu que a UE já não pode confiar apenas na antiga ordem “baseada em regras”. A Europa tornou-se o maior importador mundial de armas no período 2021-2025, revelando dependência externa em matéria de defesa. Kaja Kallas alertou que os EUA procuram dividir a Europa, enfraquecendo a sua capacidade de resposta comum. O BCE prevê crescimento modesto da zona euro em 2026, insuficiente para uma resposta histórica ambiciosa sem verdadeira vontade política. António Costa e Volodymyr Zelensky alertaram que a guerra no Médio Oriente está a beneficiar a Rússia e a desviar foco e meios da Ucrânia. Europa: o Continente da Hesitação numa Era…
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Portugal : O País Que Perdoa Sempre ao Mesmo Rosto
BOX DE FACTOS Marcelo cultivou uma imagem pública de proximidade, “selfies” e “afectos”, amplamente explorada mediaticamente. O caso das gémeas luso-brasileiras tornou-se uma das maiores sombras políticas da sua presidência. A polémica da indemnização de Alexandra Reis mostrou, mais uma vez, um Presidente omnipresente no comentário e na gestão do dano político. Parte relevante do jornalismo português preferiu a narrativa afectiva ao escrutínio severo. O problema não é apenas um homem: é um país treinado para desculpar o poder quando este se apresenta com simpatia televisiva. O País Que Perdoa Sempre ao Mesmo Rosto Em Portugal, o poder não precisa de ser exemplar: basta-lhe ser afável, fotogénico e omnipresente. E…
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A Face Nua do Regime Iraniano
BOX DE FACTOS O regime iraniano combina repressão interna, instrumentalização religiosa e militarização ideológica do Estado. Missões e organismos internacionais têm documentado execuções em massa, tortura, detenções arbitrárias e perseguição sistemática de opositores. A repressão sobre mulheres, dissidentes, minorias étnicas e activistas tornou-se uma engrenagem estrutural de poder. A ameaça de eliminação física de adversários externos revela a natureza terrorista e desumanizada do aparelho do regime. Pôr termo a esta máquina de medo é um imperativo moral para o mundo e, acima de tudo, um acto de libertação para o povo iraniano. A Face Nua do Regime Iraniano Há regimes que já não governam: sequestram. Já não administram: aterrorizam. Já…
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O Grande Equívoco do Ocidente: como falhámos perante o terrorismo internacional e os impérios da força
BOX DE FACTOS A Europa acreditou durante décadas que comércio, diálogo e inclusão institucional bastariam para moderar regimes hostis. A dependência energética da Rússia tornou-se uma vulnerabilidade estratégica, não um factor de pacificação. O Irão consolidou repressão interna e projecção regional através de proxies armados e fanatismo ideológico. A China utilizou a integração económica global para reforçar o seu poder militar, tecnológico e político. A ONU revelou limites estruturais perante grandes potências agressoras e regimes que desprezam normas internacionais. O futuro exige dissuasão credível, autonomia estratégica, guerra financeira inteligente e firmeza moral. O Grande Equívoco do Ocidente O erro do Ocidente não foi falar. Foi falar sem força. Não foi…
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Portugal Perante a IA: Um País Mal Ensinado à Beira do Desemprego Futuro
BOX DE FACTOS A IA não ameaça apenas empregos manuais ou repetitivos: já entra em tarefas administrativas, cognitivas e de apoio técnico. Países com défices educativos e fraca requalificação ficam mais expostos à substituição, à precarização e ao bloqueio social. Portugal continua vulnerável por produtividade baixa, défices de competências e fragilidade estrutural na preparação da força de trabalho. Sem ensino exigente, cultura científica e aprendizagem contínua, a automação torna-se mais uma máquina de exclusão. O futuro do emprego dependerá menos do diploma em si e mais da capacidade real de pensar, adaptar-se, aprender e criar valor. Portugal Perante a IA: Um País Mal Ensinado à Beira do Desemprego Futuro Durante…
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Sem Revolução séria no Ensino, Portugal Não Terá Futuro
BOX DE FACTOS Nenhum país dá um salto histórico duradouro sem um sistema de ensino sólido, exigente e intelectualmente ambicioso. Ter mais anos de escolaridade não basta: o decisivo é a qualidade real da aprendizagem. Sem domínio da leitura, da escrita, da matemática, da ciência e do pensamento crítico, não há produtividade moderna nem cidadania robusta. A mediocridade educativa não promove igualdade: apenas distribui fragilidade social com linguagem simpática. Portugal só terá futuro se trocar o culto da facilidade pela ética do esforço, do mérito e da excelência. Sem Revolução no Ensino, Portugal Não Terá Futuro Um país pode inaugurar estradas, anunciar planos grandiosos, distribuir subsídios e recitar mantras sobre…
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A Imprensa Domesticada e o Culto do Regime
BOX DE FACTOS A comunicação social deveria fiscalizar o poder, não servir de capela mediática ao regime. Em Portugal, grande parte do comentário político repete os mesmos nomes, os mesmos vícios e a mesma linguagem domesticada. A corrupção, a incompetência e a captura partidária do Estado são frequentemente tratadas como ruído passageiro, e não como doença estrutural. A repetição incessante de narrativas produz conformismo social e desactiva o pensamento crítico. Sem imprensa livre e corajosa, a democracia transforma-se numa encenação com iluminação profissional. A Imprensa Domesticada e o Culto do Regime Houve um tempo em que a comunicação social se apresentava como sentinela da democracia. Hoje, demasiadas vezes, surge como…
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Os Fofinhos e hipócritas da Geopolítica
BOX DE FACTOS Tema: a hipocrisia dos dirigentes europeus que julgam conflitos existenciais à distância, sem coragem para aplicar a si próprios os critérios que impõem aos outros. Núcleo: é fácil pregar contenção moral quando o risco, o terror e a ameaça de destruição recaem sempre sobre terceiros. Tese: a Europa substituiu demasiadas vezes os homens de Estado por actores emocionais, especialistas em pose ética e indigência estratégica. Os Fofinhos da Geopolítica Há na Europa uma fauna política muito particular: a dos amadores sentimentais, dos fofinhos da geopolítica, dos actores de palanque que confundem História com teatro moral e segurança com retórica de café. Há dias em que quase apetece…





























