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Trump e a Verdade Brutal do Império
BOX DE FACTOS Donald Trump voltou a afirmar uma linha política assente no princípio “America First”. A sua abordagem internacional privilegia interesse nacional, pressão económica e força negocial. As tarifas, as ameaças comerciais e a tensão com aliados revelam um estilo menos diplomático e mais coercivo. A diferença não está em os EUA deixarem de ser políticos, mas em deixarem cair parte da maquilhagem retórica. Trump e a Verdade Brutal do Império Há momentos em que a História tira as luvas. E então percebe-se que, por detrás da retórica civilizada, muitas potências sempre falaram a linguagem nua da força, do interesse e da conveniência. Confesso-o sem hesitação: não concordo em…
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O Pós-Abril Visto por Quem Não Foi Ingénuo desde muito cedo
Escrevo este texto, em modo autobiográfico, não para me justificar, nem para reclamar qualquer superioridade moral, mas para deixar claro ao leitor que a minha crítica ao país, à sua democracia e à sua longa deriva de mediocridade não nasce de ouvido, nem de azedume tardio. Nasce de uma juventude vivida com estudo, inquietação, militância, observação directa e desencanto precoce. Estas linhas são, por isso, uma breve nota autobiográfica: o contexto humano e intelectual de onde brota a minha voz em Fragmentos do Caos. BOX DE FACTOS Texto autobiográfico sobre a formação intelectual e política do autor antes e depois do 25 de Abril. Inclui referências à leitura precoce de…
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Jorge de Sena e a profecia amarga de uma democracia que podia falhar
BOX DE FACTOS Jorge de Sena foi uma das vozes mais precoces e duras a denunciar o risco de Abril ser domesticado por velhos vícios nacionais. No poema de Fevereiro de 1976, recusava “que a pouco e pouco tudo volte ao de antes”. Em cinquenta anos de democracia, Portugal consolidou liberdades fundamentais, mas conviveu com abstenção crescente, desconfiança institucional, desigualdade persistente e percepção elevada de corrupção. O problema não foi a democracia em si, mas a sua lenta captura por aparelhos, carreiras, clientelas e liturgias vazias. A grande pergunta de Sena continua a ecoar: libertámo-nos do regime antigo — ou apenas da sua mobília? Jorge de Sena e a Profecia…
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Estudar é Viagem: A Humanidade e o Medo de Pensar
BOX DE FACTOS Aprender exige esforço, silêncio interior e disciplina mental. Pensar verdadeiramente obriga a duvidar, rever crenças e suportar desconforto. Muitas sociedades modernas confundem informação com compreensão. O entretenimento permanente tornou-se rival directo da reflexão profunda. Quando uma civilização deixa de pensar, fica disponível para ser conduzida por slogans, medo e manipulação. Estudar é Viagem — e é por isso que tantos preferem ficar parados nas trevas A tragédia do nosso tempo não é a falta de conhecimento. É a recusa do esforço necessário para o alcançar. Há frases simples que, quando acertam no nervo da realidade, valem mais do que longos tratados sociológicos. Esta é uma delas. “Estudar…
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Portugal- A Justiça de Papel Apagado
BOX DE FACTOS Manuel Pinho recorreu para o Supremo da condenação a 10 anos de prisão. O recurso foi admitido em 25 de Fevereiro de 2026. A condenação inicial foi proferida em Junho de 2024 e confirmada pela Relação em Abril de 2025. O caso envolve corrupção, branqueamento e fraude fiscal ligados ao universo BES/GES. A lentidão dos processos de corrupção de alto nível continua a ser apontada como fragilidade estrutural em Portugal. A Justiça de Papel Apagado Há condenações que parecem rocha no dia em que são lidas. Depois entra a máquina do tempo, do recurso, da nulidade, da prescrição, e a montanha transforma-se em pó administrativo. Chamam-lhe Estado…
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Europa, dinheiro e cegueira: quando o luxo encobre o risco estratégico
BOX DE FACTOS A investigação da Bloomberg descreve uma alegada rede internacional de propriedades atribuída a Mojtaba Khamenei através de intermediários e estruturas opacas. Entre os activos apontados surgem apartamentos de luxo em Kensington, Londres, com linha de vista para a embaixada de Israel. Outras peças internacionais retomaram o tema, ampliando a discussão sobre segurança, sanções e a permissividade europeia face a capitais ligados a regimes autoritários. O caso ultrapassa a dimensão imobiliária: entra no domínio da soberania, da vigilância e da erosão moral das democracias ocidentais. Europa, dinheiro e cegueira: quando o luxo encobre o risco estratégico Não é apenas o escândalo do luxo. É o escândalo da passividade.…
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Nevoeiro identitário: o teatro útil dos poderes abjectos
BOX DE FACTOS As desigualdades materiais globais continuam a agravar-se, mesmo em economias formalmente democráticas. A pobreza extrema e a concentração de riqueza persistem como motores centrais de exclusão social. Grande parte do activismo identitário mediático desloca o foco da questão de classe e das estruturas de poder. O ruído simbólico serve muitas vezes de cobertura à pilhagem silenciosa operada por elites económicas e políticas. Sem humanização efectiva das instituições e da economia, toda a retórica moral corre o risco de ser apenas cosmética. Nevoeiro identitário: o teatro útil dos poderes abjectos Enquanto o povo é convocado para guerras de palavras, os poderes reais continuam a administrar pobreza, precariedade e…
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Humildade Democrática: o jogo de palavras que ajuda o país a apodrecer
BOX DE FACTOS José Luís Carneiro acusou o Governo de falta de “humildade democrática” nas negociações da lei laboral. A mesma expressão já tinha sido usada por ele na sua recandidatura à liderança do PS e noutras declarações públicas recentes. O episódio ilustra a inflação de fórmulas morais na política portuguesa. Quando a linguagem substitui a substância, o país não melhora: apenas se embrulha melhor a decadência. Humildade Democrática: o jogo de palavras que ajuda o país a apodrecer Há frases que parecem civilizadas, responsáveis e nobres. Depois ouvimo-las em Portugal e percebemos que, muitas vezes, servem apenas para perfumar o lodo. “Humildade democrática.” A expressão cai bem num microfone.…
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Operação Marquês: quando a justiça deixa de julgar e passa a apodrecer em praça pública
BOX DE FACTOS O novo advogado oficioso de José Sócrates foi nomeado automaticamente e pediu dispensa. O episódio reacendeu a percepção pública de improviso, arrastamento e desgaste institucional no processo Operação Marquês. O caso tem sido observado internacionalmente como símbolo da lentidão da justiça portuguesa. Relatórios europeus e do Conselho da Europa continuam a apontar fragilidades no combate à corrupção e na eficácia judicial em Portugal. Operação Marquês: quando a justiça deixa de julgar e passa a apodrecer em praça pública Em certos momentos da vida de um país, os tribunais deixam de parecer templos da lei e começam a assemelhar-se a corredores de hospital abandonado: muita porta, muita espera,…
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Humberto Delgado Inteiro: A História que a Democracia Prefere Cortar
BOX DE FACTOS A RTP exibe e promove Operação Outono, centrando Humberto Delgado como vítima da PIDE e símbolo da luta contra Salazar. Humberto Delgado participou no golpe de 28 de Maio de 1926, que abriu caminho à Ditadura Militar e ao Estado Novo. Antes de se tornar dissidente, exerceu funções de relevo ligadas à Legião Portuguesa e à Mocidade Portuguesa. A memória pública tende a celebrar o “General sem Medo”, mas frequentemente simplifica ou omite a fase anterior da sua trajectória. Uma democracia que ensina apenas a metade confortável de uma biografia não está a formar cidadãos livres: está a administrar memória útil. Humberto Delgado Inteiro: A História que…





























