Poesia

A praça que grita

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FRAGMENTOS DO CAOS · POESIA · 1 NOVEMBRO 2026

A praça que grita

A praça tinha perguntas,
rostos, frio, mãos abertas;
havia uma casa por encontrar
por trás de tantas portas desertas.

Vieram passos de ferro,
escudos a fechar o ar;
a noite encolheu entre os corpos,
faltou espaço para recuar.

Um bastão caiu na noite.
Uma palavra ficou a meio.
Um corpo vergou sob o golpe;
outro braço lhe deu esteio.

A bastonada não responde,
não explica a sua razão.
Deixa uma pergunta ferida
nas pedras frias do chão.

Uma mão procurou outra,
um casaco cobriu um rosto;
alguém amparou um estranho
como se o conhecesse desde agosto.

Que quem veste aquela farda
se lembre, antes de avançar:
há vidas à frente do escudo,
há direitos para guardar.

Quem escolheu aquela hora?
Quem deu a ordem de avançar?
Há nomes acima dos braços
que também têm de falar.

Não me chamem paz
ao silêncio de quem caiu.
Houve uma mãe junto à janela
que nessa noite não dormiu.

Recolham as tendas, os cartazes,
os restos espalhados no chão.
A praça seguirá com as pessoas,
com a sua pergunta na mão.

Augustus Veritas · Fragmentos do Caos


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Francisco Gonçalves, com mais de 40 anos de experiência em software, telecomunicações e cibersegurança, é um defensor da inovação e do impacto da tecnologia na sociedade. Além da sua actuação empresarial, reflecte sobre política, ciência e cidadania, alertando para os riscos da apatia e da desinformação. No seu blog, incentiva a reflexão e a acção num mundo em constante mudança.

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