Sociedade e politica
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O Desprezo de Cima e o Clamor de Baixo
“O Desprezo de Cima e o Clamor de Baixo”, a propósito de artigo publicado no “O Expresso”, por Miguel Sousa Tavares. Vivemos num país onde pensar já é revolta, e agora — pelos vistos — votar diferente é traição à democracia. Miguel Sousa Tavares, um dos nomes mais celebrados da nossa intelligentsia mediática, declarou que os eleitores do Chega “não são recuperáveis para o espaço democrático”. Está dito. Com pompa e convicção. Como se a democracia fosse um clube privado com dress code. Mas este tipo de frase não ilumina. Cega. E revela a cegueira de quem não quer entender as razões de um voto, mas apenas condená-lo moralmente. Quando…
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Portugal: Onde Pensar é Revolta, e a Corrupção é Cultura
Em Portugal, pensar tornou-se um ato de insubmissão. Quem questiona é logo visto como perturbador, quem propõe mudanças é tratado como lunático, quem insiste em sonhar com um país melhor é desdenhado como ingênuo. A sociedade civil está moribunda, afogada num mar de apatia, divisão e fatalismo. Cada um por si, todos contra todos. O “salve-se quem puder” substituiu a solidariedade, a esperteza é admirada, a inteligência marginalizada. Os partidos políticos, todos sem excepção, vivem à conta do erário público como príncipes de um regime feudal moderno. Câmaras municipais e empresas públicas e privadas alimentam-se da gordura do Estado, enquanto o contribuinte geme sob o peso de impostos, taxas, e…
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A Banalização do Mal Extremo: Uma Reflexão Filosófica
A História, quando olhada de forma crítica e profunda, revela algo de alarmante sobre a natureza humana: a capacidade de adaptação e aceitação de atrocidades extremas. O mal, muitas vezes, não surge de forma abrupta e monstruosa, mas entra gradualmente na vida humana, tornando-se quase “banal”, como se fosse uma inevitabilidade ou um mal necessário. Esta ideia foi profundamente explorada pela filósofa política e teórica social Hannah Arendt, quando abordou a questão do “mal banal” na sua análise do julgamento de Adolf Eichmann, um dos principais responsáveis pelo Holocausto. A “banalização do mal”, conforme Arendt a define, não se refere à ausência de maldade ou à falta de intencionalidade malévola,…
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Sem Plano B para Putin: A Paz Não Coexiste com a Tirania
A história da Europa está marcada por tentativas de apaziguamento que acabaram por alimentar os monstros que se queriam evitar. Em pleno século XXI, o continente volta a confrontar-se com um dilema antigo, revestido de novos contornos, mas impulsionado pela mesma lógica imperial: a existência de um regime autoritário que se recusa a aceitar as regras da convivência pacífica entre nações soberanas. Vladimir Putin não é um estadista tradicional. É um produto de um sistema corroído por saudades imperiais e paranoia de cerco. O seu regime representa uma negação sistemática dos valores democráticos, da autodeterminação dos povos, da liberdade de imprensa e do pluralismo político. A invasão da Ucrânia não…
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“O Bom Nome e o Mau Costume”
Há algo de profundamente errado num país onde se confunde uma gargalhada com um crime, e uma crítica mordaz com uma facada na honra. Em Portugal, século XXI, onde a democracia devia ser chão firme e a justiça um farol, insiste-se em proteger egos frágeis como se fossem património imaterial da humanidade. Os tribunais, entupidos de processos, não com ladrões de colarinho branco, nem com mafiosos da corrupção, mas com humoristas, cronistas e cidadãos que ousaram dizer o que pensam, são hoje palcos de tragédia cívica. Políticos, empresários, e notáveis de peluche avançam para tribunal em nome do “bom nome”. Que nome é esse, tão delicado, que se estilhaça ao…
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Portugal, Terra de Conformismo e Clubismo Político
Em pleno século XXI, quando o mundo clama por consciência e transformação, Portugal permanece adormecido sob o peso da resignação. O povo — sofrido, sim, mas também domesticado — aprendeu a vestir as cores dos partidos como se fossem camisolas de clubes de futebol. Não importa se o jogo é sujo, se o árbitro está comprado, ou se o estádio está a ruir: o importante é gritar pelo “nosso” lado, mesmo que nos leve ao abismo. O PS e o PSD — irmãos siameses na manutenção do status quo — revezam-se num jogo de espelhos. Prometem mundos, cumprem migalhas. E o povo, de quatro em quatro anos, lá vai às…
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The Decline of Democracy in the United States: Between Executive Orders and Autocratic Ambitions
The current political situation in the United States is causing deep concern among observers of democracy around the world. With Donald Trump back in the White House, the country’s governance has increasingly shifted toward a style marked by authoritarian gestures, impulsive executive orders, and disdain for constitutional checks and balances. In recent weeks, Trump’s administration has intensified the use of executive orders to dismantle fundamental institutions — such as the Department of Education — and impose policies with little or no congressional oversight. This strategy not only undermines the role of the legislative branch but also trivializes the public debate necessary in a democratic society. More troubling is Trump’s recent…
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A Extinção Lenta da Democracia Americana: Quando o Silêncio É a Maior Ameaça
Num tempo em que a democracia se vê desafiada por forças internas e externas, os Estados Unidos da América — outrora o farol das liberdades ocidentais — enfrentam um dos seus momentos mais críticos. A recente afirmação do Presidente Donald Trump, admitindo publicamente considerar um terceiro mandato presidencial, levanta sérias dúvidas quanto à robustez institucional do país. Mais do que uma provocação, trata-se de um sinal perigoso de erosão democrática em curso. Desde que regressou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump tem governado por ordens executivas numa verdadeira avalanche autoritária: desmantelou departamentos inteiros, como o da Educação, flexibilizou regulações ambientais, impôs sanções de forma errática e hostilizou aliados…
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Fundações Privadas com Dinheiro Público: O Outro Rosto do Desperdício em Portugal
Num país onde se exige cada vez mais esforço aos cidadãos em nome da austeridade, da disciplina orçamental ou da sustentabilidade das contas públicas, é particularmente chocante constatar que existe um sistema paralelo de desvio indireto de recursos públicos: o universo das fundações privadas financiadas pelo Estado. O que são estas fundações? As fundações são, teoricamente, entidades de utilidade pública, sem fins lucrativos, criadas para promover atividades culturais, sociais, científicas ou educativas. Contudo, em Portugal, muitas delas nasceram por iniciativa de figuras políticas ou ex-governantes que, ao retirarem-se da vida pública, criam estas estruturas — frequentemente opacas — e rapidamente as fazem beneficiar de dinheiro dos contribuintes, sem escrutínio suficiente…
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Êxodo Silencioso: Cientistas e a Fuga da Intolerância nos Estados Unidos
À medida que os Estados Unidos se aproximam de um novo ciclo eleitoral, cresce um fenómeno silencioso, mas profundamente revelador: o desejo crescente de muitos cientistas, académicos e pensadores independentes em abandonar o país. Os destinos preferidos? Europa e Canadá — espaços onde ainda se respira um ar de liberdade de expressão mais saudável, menos poluído pelo medo e pela vigilância ideológica. A Liberdade Académica em Risco Durante décadas, os EUA foram um farol para a ciência, inovação e liberdade académica. Universidades como MIT, Harvard, Stanford e instituições como a NASA atraíam talentos de todo o mundo. Mas essa aura tem vindo a perder intensidade. Com o regresso de Donald…



























