Manipulação da verdade,  Mediocridade,  Nepotismo

Direito Internacional à La Carte — quando a indignação tem calendário

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BOX DE FACTOS

  • Nicolás Maduro é considerado ilegítimo por vários países ocidentais.
  • Existem acusações criminais nos EUA associadas a narcotráfico.
  • A captura foi executada fora do território norte-americano.
  • O Direito Internacional voltou a ser invocado — selectivamente.

Direito Internacional à La Carte

O Direito Internacional é invocado com a solenidade de um salmo…
mas apenas quando não atrapalha a narrativa do dia.

Quando Trump manda capturar Maduro, acusado de crimes graves e à margem de qualquer verniz democrático, os autodenominados guardiões da legalidade internacional entram em modo apocalipse.
Rasgam vestes, citam tratados que nunca leram e descobrem, subitamente, que a soberania nacional é um valor absoluto — mas apenas hoje.

Os mesmos que relativizaram ditaduras amigas, fecharam os olhos a cleptocracias úteis e justificaram toda a espécie de abusos em nome da “estabilidade”, acordam agora convertidos ao jus gentium, como monges tardios do século XIII.
O problema não é a lei. É o alvo.

A comparação imediata surge, previsível como chuva em Novembro:“Isto é igual ao que Putin fez na Ucrânia.”
Igual? Só se a análise política for feita com régua de carpinteiro e miopia ideológica.
Uma guerra de anexação, destruição e ocupação prolongada não é o mesmo que uma operação cirúrgica para captura de um indivíduo procurado — a menos que a honestidade intelectual tenha sido declarada baixa médica.

Mas atenção: o erro inverso é igualmente perigoso.
Transformar qualquer acto num gesto “justo” só porque o alvo é um tirano é abrir a porta à lei do mais forte com selo moral.
A democracia não se defende com atalhos.
Defende-se com regras — especialmente quando incomodam.

O que verdadeiramente irrita os novos fariseus do direito internacional, não é a violação potencial de princípios.
É o colapso do guião confortável onde os vilões são sempre os outros e os aliados nunca erram.
O problema nunca foi Maduro.
O problema é quem decide quando a lei vale… e quando atrapalha.

Enquanto o mundo oscila entre tiranos declarados e democratas de ocasião, o Direito Internacional continua ali, paciente, à espera de ser tratado como lei — e não como um menu onde se escolhe apenas o prato do dia.

Francisco Gonçalves
Fragmentos do Caos — onde a ironia ainda pensa
🌌 Fragmentos do Caos: Blogue • Ebooks • Carrossel

Francisco Gonçalves, com mais de 40 anos de experiência em software, telecomunicações e cibersegurança, é um defensor da inovação e do impacto da tecnologia na sociedade. Além da sua actuação empresarial, reflecte sobre política, ciência e cidadania, alertando para os riscos da apatia e da desinformação. No seu blog, incentiva a reflexão e a acção num mundo em constante mudança.

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