Crónicas,  Filosofia e Sociedade

A liberdade dos outros

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A liberdade dos outros

O difícil exercício de não mandar na vida alheia

Nota de abertura:
Esta crónica parte da reflexão de Agostinho da Silva segundo a qual o nosso desejo de liberdade nem sempre é sincero: reclamamo-la prontamente para nós próprios, mas resistimos a concedê-la aos outros quando as suas escolhas escapam ao nosso controlo, às nossas expectativas ou à nossa necessidade de os classificar.

Há palavras que todos gostam de pronunciar, sobretudo quando parecem nobres, universais e suficientemente vagas para não exigirem grande sacrifício.

Liberdade é uma delas.

Toda a gente se declara a favor da liberdade.

Os governos dizem defendê-la.

As empresas dizem promovê-la.

As famílias dizem desejá-la para os filhos.

As escolas dizem educar para ela.

Os cidadãos dizem não poder viver sem ela.

E, no entanto, basta que outra pessoa use a própria liberdade de uma forma que não aprovamos para a nossa convicção começar imediatamente a perder firmeza.

Defendemos a liberdade em abstracto.

O problema começa quando ela ganha rosto, vontade própria e hábitos que não pediram a nossa autorização.

Agostinho da Silva percebeu essa contradição com uma clareza quase ofensiva: estamos sempre prontos a reclamar liberdade para nós, mas revelamos muito menos entusiasmo quando chega o momento de a conceder aos outros.

Queremos escolher.

Mas queremos também escolher aquilo que os outros devem escolher.

Queremos ser compreendidos.

Mas classificamos rapidamente quem vive de maneira diferente.

Queremos escapar às imposições.

Mas não hesitamos em impor expectativas, regras, medos e sonhos a quem está mais próximo de nós.

A liberdade, quando é só nossa, parece um direito.

Quando é dos outros, começa frequentemente a parecer um problema.

O pequeno ditador que habita em nós

A tirania nem sempre usa uniforme.

Nem sempre ocupa palácios.

Nem sempre tem polícia política, discursos inflamados ou estátuas em praças públicas.

Há tiranias domésticas, profissionais, afectivas e sociais.

Existem no pai que obriga o filho a seguir a carreira que ele próprio teria desejado.

Na mãe que transforma o amor em vigilância.

No professor que confunde disciplina com obediência intelectual.

No chefe que pede criatividade, mas castiga qualquer decisão que não tenha partido dele.

No amigo que aceita todas as nossas escolhas desde que coincidam com as suas.

No cidadão que exige tolerância para si e severidade para quem vive de outra maneira.

O ditador quotidiano raramente se reconhece como tal.

Considera-se responsável.

Cuidadoso.

Racional.

Experiente.

Diz que sabe o que é melhor.

Diz que está apenas a proteger.

Diz que a vida é difícil e que alguém precisa de tomar decisões sensatas.

A opressão tem extraordinária facilidade em apresentar-se como cuidado.

A invasão da liberdade alheia vem muitas vezes embrulhada em preocupação.

«É para teu bem.»

Talvez nenhuma frase tenha autorizado tanta interferência como esta.

A opressão raramente se apresenta como opressão. Prefere chegar vestida de cuidado, experiência e boas intenções.

A liberdade que queremos para nós

Quando somos nós a escolher, qualquer limitação parece intolerável.

Queremos mudar de trabalho.

Queremos amar quem entendemos.

Queremos falar sem censura.

Queremos gerir o nosso dinheiro.

Queremos recusar conselhos.

Queremos cometer os nossos próprios erros.

Queremos que os outros reconheçam a complexidade das nossas circunstâncias, os nossos traumas, os nossos desejos e as nossas razões.

Pedimos contexto.

Pedimos compreensão.

Pedimos tempo.

Mas, quando julgamos os outros, tornamo-nos subitamente especialistas em soluções simples.

O filho deveria ter estudado outra coisa.

O vizinho deveria educar melhor os filhos.

A mulher deveria ter saído mais cedo daquela relação.

O homem deveria ter escolhido um emprego mais seguro.

O jovem deveria trabalhar mais.

O velho deveria aceitar melhor a idade.

O pobre deveria organizar melhor a vida.

O rico deveria sentir culpa.

Toda a humanidade parece precisar urgentemente dos nossos conselhos, fenómeno curioso em pessoas que mal conseguem organizar a própria gaveta das meias.

A liberdade pessoal é complexa.

A liberdade dos outros parece-nos frequentemente má decisão.

O medo da diferença

A dificuldade em aceitar a liberdade alheia nasce muitas vezes do medo.

A pessoa que vive de maneira diferente ameaça a nossa certeza.

Se alguém recusa o caminho que todos seguem, demonstra que esse caminho não era inevitável.

Se alguém abandona uma carreira segura para seguir uma vocação, obriga-nos a recordar os sonhos que sacrificámos.

Se alguém não procura o mesmo estatuto, o mesmo consumo ou o mesmo reconhecimento, põe em causa os valores pelos quais organizámos a vida.

A diferença incomoda porque funciona como espelho.

Não mostra apenas quem o outro é.

Mostra aquilo que nós não tivemos coragem de ser.

Por isso, a sociedade prefere diferenças controladas.

Gosta da originalidade desde que seja comercializável.

Aprecia a rebeldia desde que venha bem penteada.

Celebra a autenticidade desde que não perturbe o horário, o orçamento ou a ordem familiar.

Diz aos jovens que devem ser eles próprios e, logo depois, entrega-lhes uma lista detalhada do tipo de pessoa que será socialmente aceite.

A liberdade é tolerada enquanto permanece decorativa.

Quando começa a produzir consequências, aparecem logo os guardiões do bom senso.

ELEMENTOS CENTRAIS

  • Os direitos humanos universais reconhecem a liberdade, a igualdade e a dignidade como direitos inerentes a todas as pessoas, não como privilégios concedidos a quem vive de forma socialmente confortável.
  • A liberdade de pensamento, consciência, expressão, associação e vida privada protege também escolhas, opiniões e modos de vida que podem desagradar à maioria.
  • O respeito pela autonomia não significa ausência de limites: a liberdade encontra fronteiras nos direitos, na segurança e na dignidade dos outros.
  • A investigação psicológica associa o apoio à autonomia a maior motivação autónoma, bem-estar e funcionamento positivo em contextos familiares, educativos e profissionais.
  • O controlo excessivo e a interferência psicológica podem prejudicar o desenvolvimento da autonomia, a saúde emocional e a capacidade de decisão.

A família e o império do amor

É dentro da família que a liberdade se torna mais delicada.

O amor cria proximidade, mas também pode criar posse.

Os pais desejam proteger os filhos do sofrimento e acabam, por vezes, a protegê-los da própria vida.

Planeiam estudos.

Carreiras.

Relações.

Comportamentos.

Metas.

Até formas de felicidade.

Não querem que os filhos errem.

Mas uma pessoa que não pode errar também não pode escolher verdadeiramente.

Educar para a liberdade não é abandonar.

É acompanhar sem possuir.

É aconselhar sem decretar.

É dizer aquilo que pensamos sem transformar a nossa opinião numa sentença.

É aceitar que o filho possa escolher um caminho menos seguro, menos prestigiante ou simplesmente diferente daquele que tínhamos imaginado.

Talvez o acto mais difícil de amor seja este: reconhecer que a pessoa amada não nos pertence.

Pode ouvir-nos.

Pode respeitar-nos.

Pode até agradecer-nos.

Mas a vida dela continua a ser dela.

Há pais que dizem querer filhos independentes e depois vivem cada manifestação de independência como uma espécie de traição emocional.

Querem adultos livres, mas com autorização prévia.

Uma combinação engenhosa, embora ligeiramente incompatível com o conceito de liberdade.

A escola que ensina a obedecer

A escola fala de autonomia, mas foi durante muito tempo organizada para premiar a conformidade.

O aluno ideal é pontual, atento, silencioso, rápido a compreender e suficientemente criativo para ser elogiado, mas não tanto que obrigue a alterar o plano da aula.

As perguntas são bem-vindas desde que não atrasem o programa.

O pensamento crítico é celebrado em documentos, mas pode tornar-se inconveniente quando critica a própria instituição.

Ensina-se cidadania, mas pratica-se frequentemente uma relação vertical onde quem sabe fala e quem aprende escuta.

Uma escola verdadeiramente livre não é uma escola sem regras.

É uma escola onde as regras possuem sentido, podem ser explicadas e não servem para esmagar a singularidade.

É uma escola onde o aluno aprende a pensar, não apenas a responder.

Onde pode discordar sem humilhar e ser contrariado sem ser diminuído.

Onde a liberdade não significa fazer tudo, mas compreender por que razão escolhemos, quais as consequências da escolha e que limites protegem também a liberdade dos outros.

Porque liberdade sem responsabilidade degenera em capricho.

Mas responsabilidade sem liberdade degenera em submissão.

As empresas que querem iniciativa obediente

As empresas modernas adoram palavras como autonomia, inovação, criatividade e liderança.

Colocam-nas em paredes, relatórios e apresentações com pessoas sorridentes a apontar para gráficos ascendentes.

Depois, um trabalhador toma uma decisão inesperada e toda a organização entra em estado de emergência.

A empresa quer iniciativa, mas com validação.

Quer pensamento crítico, mas não excessivamente crítico.

Quer colaboração, desde que a hierarquia permaneça intacta.

Quer inovação, desde que não ameace processos antigos nem exponha incompetências instaladas.

Quer profissionais livres, mas facilmente avaliáveis, previsíveis e enquadráveis.

O resultado é uma cultura onde muitos aprendem a simular autonomia.

Apresentam ideias suficientemente novas para parecerem interessantes, mas suficientemente familiares para não assustarem ninguém.

A liberdade profissional torna-se um teatro organizado.

Todos fingem pensar de forma independente.

Ninguém altera verdadeiramente a peça.

A sociedade das etiquetas

Agostinho da Silva percebeu também a pressão para sermos simples, ajustados e facilmente classificáveis.

A sociedade sente-se mais tranquila quando consegue etiquetar.

Conservador.

Progressista.

Bem-sucedido.

Falhado.

Ambicioso.

Preguiçoso.

Normal.

Problemático.

A etiqueta evita o incómodo de conhecer.

Em poucos segundos, reduzimos uma pessoa inteira a uma categoria e passamos a tratar a categoria como se fosse a pessoa.

As redes sociais aceleraram esta tendência até ao grotesco.

Cada opinião torna-se prova definitiva de carácter.

Cada erro transforma-se em identidade.

Cada hesitação é interpretada como culpa.

Cada mudança de posição é chamada incoerência, como se aprender fosse uma forma de deslealdade.

Queremos pessoas simples porque as pessoas complexas exigem tempo.

Queremos grupos porque os indivíduos perturbam as certezas.

Queremos que os outros se definam claramente, embora nós próprios reclamemos o direito de mudar, contradizer-nos e evoluir.

A liberdade dos outros inclui também o direito de não caberem nas nossas caixas.

O outro como propriedade moral

Há um tipo subtil de tirania que nasce da ideia de que sabemos moralmente o que o outro deve fazer.

Nem sempre é uma imposição legal.

É uma vigilância afectiva e social.

A pessoa sente que deve justificar permanentemente as escolhas.

Por que não casou?

Por que não teve filhos?

Por que mudou de país?

Por que abandonou um emprego?

Por que não perdoou?

Por que perdoou?

Por que não luta mais?

Por que não descansa?

Cada vida parece precisar de passar por uma comissão informal de avaliação composta por familiares, colegas e desconhecidos da Internet.

A liberdade transforma-se numa espécie de formulário.

Pode ser aprovada, desde que venha acompanhada de razões aceitáveis.

Mas uma pessoa livre não tem de viver de acordo com a narrativa que nos parece mais coerente.

Pode escolher mal.

Pode mudar de ideias.

Pode perder oportunidades.

Pode seguir um caminho que nunca escolheríamos.

Desde que não destrua a liberdade e os direitos dos outros, a vida alheia não precisa da nossa certificação.

A liberdade de errar

Uma das formas mais sinceras de respeitar a liberdade dos outros é reconhecer-lhes o direito ao erro.

Não ao crime.

Não à violência.

Não à destruição da vida alheia.

Mas ao erro humano.

Escolher a profissão errada.

Confiar na pessoa errada.

Mudar tarde.

Desistir cedo.

Começar de novo.

A liberdade que só permite decisões correctas não é liberdade.

É obediência a um supervisor omnisciente que, por grande azar, costuma ser alguém tão falível como todos os restantes.

Naturalmente, é difícil assistir ao erro de quem amamos.

O impulso é intervir.

Controlar.

Impedir.

Mas existe uma diferença entre avisar e dominar.

Entre oferecer ajuda e retirar escolha.

Entre estar presente e tomar posse.

Por vezes, a pessoa precisa de cair para descobrir que consegue levantar-se.

A protecção absoluta produz fragilidade.

A confiança acompanhada produz crescimento.

A liberdade e os seus limites

Defender a liberdade dos outros não significa aceitar tudo.

A liberdade termina quando começa a destruição da liberdade alheia.

Ninguém possui o direito de agredir, explorar, humilhar, perseguir ou impor silêncio a outro em nome da própria autonomia.

A liberdade não é uma licença para o poder.

É precisamente uma defesa contra ele.

Por isso, uma sociedade livre precisa de leis, instituições e limites.

Mas esses limites devem proteger pessoas, não impor conformidade.

Devem impedir dano, não castigar diferença.

Devem conter abusos, não domesticar identidades.

A pergunta essencial é simples:

Esta escolha prejudica direitos concretos de outras pessoas ou apenas fere as nossas preferências?

A confusão entre estas duas coisas é uma das raízes do autoritarismo moral.

Há quem queira proibir aquilo que não compreende.

Controlar aquilo que teme.

Silenciar aquilo que contesta a sua visão do mundo.

E depois chama ordem à própria ansiedade.

A democracia começa em casa

A democracia não começa no Parlamento.

Começa na forma como tratamos quem depende de nós.

Na maneira como ouvimos os filhos.

Na liberdade que concedemos aos companheiros.

Na autonomia que permitimos aos trabalhadores.

Na capacidade de aceitar uma opinião contrária sem transformar o outro em inimigo.

Votar de quatro em quatro anos é importante.

Mas uma pessoa pode votar democraticamente e comportar-se como tirano durante todos os dias que existem entre eleições.

Pode defender direitos públicos e negar liberdade em privado.

Pode discursar sobre tolerância e viver da intimidação.

Pode exigir transparência do Estado e controlar cada movimento da família.

A democracia é também um hábito emocional.

Exige suportar o facto de que os outros não existem para confirmar a nossa visão.

Exige perder votações.

Aceitar recusas.

Conviver com diferenças.

Reconhecer que a autoridade possui limites.

E compreender que amar alguém não nos concede soberania sobre essa pessoa.

O difícil gesto de abrir a mão

A liberdade dos outros exige um gesto que muitos evitam: abrir a mão.

Deixar partir.

Deixar escolher.

Deixar discordar.

Deixar mudar.

Deixar falhar.

Deixar viver.

A mão fechada parece proteger, mas também aprisiona.

A mão aberta corre o risco de perder, mas permite encontro.

Talvez por isso a liberdade seja tão difícil.

Obriga-nos a aceitar que não controlamos todas as consequências.

Que os filhos podem afastar-se.

Que os amigos podem escolher outros caminhos.

Que os colegas podem recusar conselhos.

Que as pessoas podem não precisar de nós da forma que desejaríamos.

A liberdade dos outros confronta-nos com a nossa própria insegurança.

E é precisamente aí que se mede a sinceridade dos nossos princípios.

A liberdade que concedemos

É fácil reclamar liberdade contra quem está acima.

Mais difícil é concedê-la a quem está abaixo ou ao lado.

O cidadão exige liberdade ao Estado.

O patrão deve concedê-la ao trabalhador.

O professor ao aluno.

Os pais aos filhos.

A maioria à minoria.

O forte ao fraco.

Quem possui poder revela a sua relação verdadeira com a liberdade quando decide o que fazer com a liberdade dos outros.

Porque o tirano não é apenas aquele que deseja controlar-nos.

É também aquilo em que nos transformamos quando a autonomia alheia começa a incomodar-nos.

Agostinho da Silva lembra-nos que a opressão exterior pode ser reflexo das pequenas autocracias que cultivamos dentro de nós.

Talvez combatamos nos governantes aquilo que toleramos nas nossas relações.

Talvez exijamos do mundo uma liberdade que ainda não aprendemos a praticar.

E talvez a revolução mais profunda não comece com a conquista do nosso espaço, mas com a renúncia ao desejo de ocupar o espaço alheio.

A verdadeira liberdade não se mede apenas pelo número de portas que conseguimos abrir para nós.

Mede-se também pelas portas que nos recusamos a fechar aos outros.

Porque só é livre quem não precisa de transformar ninguém em prisioneiro.

Nota Editorial

Esta crónica foi inspirada pelo pequeno ensaio de Agostinho da Silva intitulado «O nosso desejo de liberdade não é sincero», apresentado pelo autor do blogue. Não pretende resumir todo o pensamento filosófico de Agostinho da Silva nem atribuir-lhe cada uma das formulações desenvolvidas no texto. A sua reflexão funciona como pano de fundo para uma meditação contemporânea sobre autonomia, poder, família, educação, trabalho e convivência democrática.

O respeito pela liberdade dos outros não significa indiferença, abandono, relativismo absoluto ou aceitação de comportamentos que violem direitos. A liberdade pessoal encontra limites na dignidade, na segurança e na liberdade alheias. A distinção essencial está entre impedir dano concreto e tentar impor conformidade apenas porque uma escolha nos desagrada, perturba ou escapa ao nosso controlo.

A investigação internacional sobre autonomia não oferece uma fórmula moral automática para todas as relações. Contudo, estudos em contextos familiares, educativos e profissionais associam o apoio à autonomia a motivação mais autónoma, bem-estar, participação e funcionamento positivo, enquanto formas intrusivas ou excessivamente controladoras de relação podem produzir sofrimento, dependência e menor capacidade de decisão. Liberdade e responsabilidade não são adversárias: uma sociedade democrática precisa de ambas.

Referências credíveis

Francisco Gonçalves
Fragmentos do Caos
FC-Chronic-News


Ler o livro : A Democracia Infantil


🌌 Fragmentos do Caos: BlogueEbooksCarrossel

Francisco Gonçalves, com mais de 40 anos de experiência em software, telecomunicações e cibersegurança, é um defensor da inovação e do impacto da tecnologia na sociedade. Além da sua actuação empresarial, reflecte sobre política, ciência e cidadania, alertando para os riscos da apatia e da desinformação. No seu blog, incentiva a reflexão e a acção num mundo em constante mudança.

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