Política Internacional
-
O Ocidente “faleceu” de doença prolongada: ‘America First’, a erosão da confiança e o avanço paciente da China
BOX DE FACTOS Diagnóstico: “O Ocidente morreu” — não por explosão súbita, mas por erosão lenta de confiança e coesão. Base empírica: inquérito global do European Council on Foreign Relations (ECFR), com ~26.000 inquiridos em 21 países. Ideia-força: a lógica “America First” é percepcionada, em muitos países, como factor que beneficia a China mais do que reforça a liderança americana. Europa: cresce o cepticismo sobre a fiabilidade dos EUA e o apoio a reforço de defesa e autonomia estratégica. Frase cruel: o “Ocidente” não foi abatido — adoeceu e foi-se habituando à febre. O Ocidente faleceu de doença prolongada Não houve funeral. Houve rotina. Houve cansaço. Houve a substituição da…
-
Irão em chamas e o silêncio por cá: a revolta que o mundo está a ver
BOX DE FACTOS O que está a acontecer: Protestos e greves em múltiplas cidades do Irão, impulsionados por crise económica e colapso de poder de compra. Resposta do regime: repressão, detenções e escalada do controlo da informação. Apagão digital: vários órgãos internacionais relatam que houve cortes/fortes restrições de internet (incluindo Teerão). 0 Quadro humano: relatos de mortos e milhares de detenções circulam em meios internacionais (com números a variar conforme as fontes e a dificuldade de verificação no terreno). 1 O foco internacional: economia, greves, repressão e censura digital como instrumento político. 2 Irão em chamas e o silêncio por cá: a revolta que o mundo está a ver Há…
-
Europa Senil: a União Que Escreve Comunicados e Assina o Próprio Atestado
BOX DE FACTOS Ucrânia (desde Fev. 2022): “Team Europe” (UE + Estados-membros) refere cerca de €177,5 mil milhões disponibilizados em apoio à Ucrânia (síntese EPRS/PE com base em números da Comissão). Ajuda militar via UE: o Conselho da UE indica €6,1 mil milhões mobilizados (2022–2024) através da European Peace Facility. O “travão” de 2025: o Kiel Institute alerta que, em 2025, a Europa alocou apenas cerca de €4,2 mil milhões em nova ajuda militar — insuficiente para compensar a quebra dos EUA. Gaza/Palestinianos: o Conselho da UE refere €1,6 mil milhões de apoio humanitário “Team Europe” ao Território Palestiniano Ocupado desde 7 de Outubro de 2023. Sanções: a UE criou…
-
Diplomacia em Stand-Up, Geoestratégia em Palhaçada: A Hipocrisia Mundial em Directo
BOX DE FACTOS Contexto global: ameaças territoriais, guerras por procuração, sanções selectivas e diplomacia em formato “tweet”. Fenómeno central: substituição da estratégia pela encenação e da ética pelo marketing. Padrão recorrente: todos invocam o direito internacional, poucos o respeitam. Tese: a hipocrisia tornou-se doutrina e o cinismo, política externa. Diplomacia em Stand-Up, Geoestratégia em Palhaçada A Hipocrisia Mundial em Directo O mundo já não é governado por estadistas. É administrado por actores mal ensaiados num palco nuclear. 1. A nova diplomacia: ameaça, sorri, repete Antigamente, a diplomacia era arte subtil. Hoje é stand-up comedy com ogivas em pano de fundo. Um ameaça. Outro responde. Um terceiro “lamenta profundamente”. Um quarto…
-
Retórica de anexação e a política de força: EUA, Gronelândia e o retorno do imaginário imperial
BOX DE FACTOS O que está em causa: retórica e opções políticas em Washington sobre “adquirir” a Gronelândia, com referência pública a que o uso de força/militar “é sempre uma opção”. Reacção: rejeição e preocupação por parte de aliados europeus, dado tratar-se de território associado ao Reino da Dinamarca (aliado NATO). Enquadramento institucional EUA: o Presidente tem margem executiva, mas existe arquitectura de controlo (Congresso, War Powers, tribunais, orçamento, opinião pública, aliados). Enquadramento jurídico internacional: proibição da ameaça/uso da força (Carta da ONU, art. 2.º/4) e princípio da autodeterminação (Carta da ONU, art. 1.º/2). Valor estratégico: o Árctico (rotas, vigilância, dissuasão, minerais críticos) e a presença militar dos EUA na…
-
Quando o Poder Imagina o Exílio: Estará o Regime dos Aiatolas por um Fio?
BOX DE FACTOS O rumor: circula a alegação de um “Plano B” — fuga para Moscovo — se o regime perder controlo. O que se sabe: há protestos há mais de uma semana, com repressão dura e relatos de mortos e detenções. O que interessa politicamente: um regime não treme só com a rua; treme quando começa a tremer por dentro. Regra antiga: o poder raramente cai num dia; apodrece primeiro no silêncio das elites. Quando o Poder Imagina o Exílio: Estará o Regime dos Aiatolas por um Fio? Há rumores que são fumo. E há fumo que, mesmo sem fogo confirmado, já denuncia: alguém acendeu fósforos no porão. A…
-
A Rússia após quatro anos de guerra: a economia de guerra, o preço social e a ilusão de normalidade
BOX DE FACTOS O “pico” de 2024 parece ter sido o último grande impulso: organismos internacionais apontam abrandamento forte em 2025 e crescimento baixo em 2026. FMI (Out. 2025): crescimento real da Rússia revisto para 0,6% em 2025 e cerca de 1,0% em 2026. Banco Mundial: projecção de 0,9% em 2025 e ~1% em 2026–2027 (ordem de grandeza). Despesa militar: estimativas para 2025 apontam para cerca de 15,5 biliões de rublos (SIPRI), equivalente a ~7,2% do PIB. Orçamento 2025: notícias com base em documentos orçamentais indicam que a defesa seria ~32% da despesa federal (Reuters, Set. 2024). Sinais sociais: reportagens indicam contenção de consumo nas festas de fim de ano,…
-
Quando Washington quase desistiu de Lisboa: Portugal ‘perdido’ no PREC
BOX DE FACTOS 1974–1976 (PREC): fase de instabilidade e disputa sobre o rumo do regime após o 25 de Abril. Washington alarmado: memorandos oficiais mostram receio de “Portugal ir comunista” e debates sobre como reagir. O “Portugal está perdido”: Kissinger terá dito a Mário Soares que Portugal estava “perdido para os comunistas” e chamou-lhe “Kerensky”. Frank Carlucci em Lisboa: enviado como embaixador (1975–1978), com missão política explícita de evitar a perda de um membro da NATO. PCP e Moscovo: PCP mantinha alinhamento com a URSS, o que amplificava a leitura geoestratégica norte-americana. Desfecho: eleições, legitimidade democrática e reequilíbrio interno culminam na consolidação do eixo ocidental. Quando Washington Quase Desistiu de…
- Crime Organizado, Elites patéticas, Manipulação da verdade, Mediocridade, Nepotismo, Política Internacional
A Teia de Maduro e o Cerco da DEA: quando o Estado vira cartel — e o cartel aprende a ser Estado
BOX DE FACTOS Em 2020, o DOJ (EUA) anunciou acusações criminais contra Nicolás Maduro e outros responsáveis, alegando narco-terrorismo, tráfico e corrupção. Em 2025, o Tesouro (OFAC) sancionou o Cartel de los Soles como entidade criminosa sediada na Venezuela, descrevendo apoio material a redes violentas. Em 2025, o Departamento de Estado anunciou a intenção de designar o Cartel de los Soles como FTO (organização terrorista estrangeira), com data de efectivação indicada. A DEA intensificou acções de cerco em rede: operações coordenadas multi-jurisdição, com foco em finanças, logística, e desmantelamento (não apenas apreensões). A Europa surge como mercado final e palco de degradação institucional: corrupção portuária, violência e infiltração do crime…
-
Teerão à Beira do Silêncio: o Presidente aproxima-se do Ocidente…
BOX DE FACTOS Protestos recentes em várias cidades iranianas, com mortos e detenções, alimentados por crise económica e queda da moeda. Tom do Presidente: apelos a “ouvir” exigências e a diálogo, com promessa de resposta “responsável”. Duplo poder: a presidência gere o quotidiano; a arquitectura do regime mantém-se sob o Líder Supremo e centros de força. Sinais de ruptura social: encerramentos, paralisações e greves pontuais (bazar/comércio), e slogans cada vez mais políticos. A sombra da sucessão: Khamenei envelhecido; o “depois” é um território de nevoeiro — e, por isso mesmo, perigoso. Teerão à Beira do Silêncio: o Presidente aproxima-se do Ocidente… ou foge do incêndio? Quando a rua ferve, a…




























