Mediocridade
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As empresas : Entre a acomodação e o medo
O Mito da Inovação: O Tecido Empresarial Português Entre a Acomodação e o Medo Francisco Gonçalves & Augustus Veritas Lumen Nos relatórios oficiais, Portugal surge como um país em ascensão no ranking europeu da inovação. Somos apresentados como “fortemente inovadores”, quase um exemplo de resiliência e modernidade. Mas esta é a narrativa para Bruxelas, embalada em gráficos coloridos e índices que servem mais para justificar fundos do que para refletir a realidade. A verdade nua e crua é outra: somos um país empresarialmente acomodado, conservador e avesso à mudança. A ilusão estatística Os números podem enganar: falam em 44,7 % de empresas “inovadoras” entre 2020 e 2022. Mas que inovação…
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Os enganadores da nação
Crónica · Fragmentos do Caos Que grande é o poder d’enganar Camões já o sabia: a arte velha do embuste, agora com luzes LED e telepontos. Antes do teleponto já havia teatro. No púlpito e na corte prometiam mundos; hoje, na gala e no prime-time, prometem reformas milagrosas. Mudaram-se os cenários, ficou o truque: persuadir o cansaço a tornar-se crença. “Que grande é o poder d’enganar, e como o povo fácil se persuade…” — Luís de Camões Eis a tragédia repetida com figurinos novos: Ontem, reis navegavam nas naus da vaidade; hoje, ministros surfam nas marés do marketing. Ontem, promessas gravadas em pergaminho; hoje, slogans gravados em LED e em…
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Oh vã glória de mandar.. medalhar a arte do efémero
Crónica · Fragmentos do Caos Oh vã glória de mandar Um lusíada pós-moderno sobre medalhas fáceis, palcos fáceis e a difícil arte de merecer memória. Belém já não ecoa de naus e marés; vibra de microfones e flashes. O palco é novo, a farda é outra, mas a liturgia é velha: medalhas que prometem eternidade e duram o tempo de um ciclo noticioso. “Oh vã glória de mandar, oh vã cobiça Desta vaidade a quem chamamos Fama…” — Luís de Camões, Os Lusíadas Os heróis de ocasião chegam em caravana, entre entrevistas e patrocínios. Trazem golos, números e contratos; faltam-lhes mares, mapas e silêncio. A pátria, cansada, aceita o espetáculo:…
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🇵🇹 Camões Ressuscitado e a Farsa das Condecorações
Se Camões voltasse hoje a Portugal, não desembarcaria em Belém para louvar heróis que deram “novos mundos ao mundo”.Não. Encontraria Marcelo e Montenegro de espada de plástico na mão, prontos a condecorar o ponta-de-lança que marcou um golo de calcanhar ou o treinador que gesticula mais rápido do que pensa. Camões, coitado, olharia o panorama e diria: “Estes não são os que da lei da morte se vão libertando;são os que da bola rolando se vão entretendo.” O épico dá lugar ao épico-penálti, o herói de mar alto substituído pelo herói do balneário.E a pátria, embalada por selfies e camisolas autografadas, aplaude. No fundo, Portugal virou palco de um reality…
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Sócrates: O Estado do Grito
A Nova Jurisprudência: Gritar no Tribunal Portugal inventa o direito comparado da paródia. Esqueçam os códigos, as doutrinas e a jurisprudência do Supremo. Em Portugal, a última moda forense é o grito como instrumento de defesa. Se o arguido não concorda, levanta a voz; se a juíza tenta intervir, interrompe-se com classe; se alguém protesta, chama-se a liberdade de expressão. Há quem diga que isto descredibiliza a Justiça. Puro engano. Descredibilizar é uma palavra antiquada; o termo moderno é entretenimento judicial. As sessões deixam de ser julgamentos e passam a ser reality shows transmitidos em direto para a plateia mediática. Brevemente no Diário da República: “Código de Processo Penal —…
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O pilar rachado da democracia
A Justiça-Paródia: o caso Sócrates e a credibilidade perdida Quando o tribunal vira palco e a autoridade se dissolve em espetáculo. O julgamento de José Sócrates tornou-se uma liturgia ao contrário: em vez de devolver solenidade à Justiça, expõe-lhe a fragilidade em praça pública. O arguido fala quando quer, interrompe, desafia. A juíza suspira, adverte, repete. O país assiste. E cada sessão adensa a sensação de que caminhamos não para a verdade judicial, mas para uma telenovela forense. Uma Justiça que tolera a desordem constante transforma o contraditório em cacofonia — e a autoridade em rumor. Três sinais de decadência institucional Ritual sem gravidade: a sala de audiências deveria impor…
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Um Estado gordo, desgovernado e insuportável
O Estado Gordo e os Serviços Magros aos Cidadãos Mais de 760 mil funcionários públicos em 2025 — mas o cidadão continua à espera. Portugal bateu em 2024 um novo recorde: 753.557 funcionários públicos. Este ano já passámos os 760 mil. Nunca tivemos tanta gente ao serviço do Estado. E, no entanto, nunca foi tão evidente o colapso dos serviços essenciais: filas nas urgências, professores em falta, tribunais congestionados, balcões das Finanças a marcar meses de espera. O Estado engorda em números, mas emagrece em função. É um corpo inchado, pesado, incapaz de se mover com eficácia — e o cidadão, esse, continua anémico de serviços. As causas do paradoxo…
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Portugal: Nepotismo descarado
O Portugal da Máfia A dança das cadeiras com dinheiro público — e o contribuinte a segurar o casaco. Chama-se “gestão de recursos humanos”, mas o povo conhece o enredo: sai pela porta da frente com indemnização, entra pela de serviço com cargo de confiança, e quando dás por isso, o Estado paga duas vezes — a saída e o regresso. Segundo uma investigação recente, um trabalhador da AICEP recebeu 192 mil euros para sair, foi logo a seguir adjunto num gabinete governamental e acabou novamente contratado… pelo Estado. E não foi caso único: houve mais dois episódios no mesmo bailado. O nome surge no Diário da República: João Carlos…
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A ditadura fiscal de Portugal
Foi para isto que se fez o 25 de Abril? IRS a prestações com juros de 8,309% — quando a democracia fiscal parece um labirinto. Abril prometeu-nos um país de gente livre, cabeça erguida e contas claras. Em 2025, muitos portugueses descobrem que a liberdade também se testa na forma como o Estado lhes cobra impostos: falhas o prazo e és recebido por um cobrador com timbre oficial. Paga já, ou paga com juros. O juro de mora — 8,309% — cai como um ferrolho sobre orçamentos que já respiram por um canudo. O Estado atrasa reembolsos sem corar; o cidadão atrasa um mês e sente a mão pesada da…
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Portugal e a “luta” contra a corrupção
Corrupção · Conselho da Europa · GRECO Portugal e o Espelho de GRECO Entre a luz da prevenção e a sombra da inércia. Um retrato recente do GRECO expõe uma verdade desconfortável: avançámos no discurso e na norma, mas ficámos aquém na execução. Balança sob escrutínio: a prevenção existe; falta execução com dentes. Implementadas 0 / 28 Medidas plenamente cumpridas Parciais 18 Execução incompleta Em falta 10 Sem implementação Avanços que brilham… mas pouco Mecanismo Nacional Anticorrupção e Entidade da Transparência operacionais. Novo Código de Conduta para cargos executivos — importante, mas insuficiente. Ainda por adotar: a Estratégia Nacional Anticorrupção 2025-2028 e um plano de riscos específico para titulares de…





























