Democracia e Sociedade

Zé Fugiu, Costa Também: A Porta Giratória da Política Portuguesa

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E o povo? Fica com as contas, o silêncio e a memória curta

“O Zé fugiu, nunca mais ninguém o viu.
Depois veio o Costa, que fugiu para Bruxelas…
Nunca mais ninguém o viu.”

Portugal é um país onde os políticos aparecem em campanhas,
desaparecem em escândalos,
e reaparecem em cargos internacionais — sempre com um sorriso e passaporte diplomático.


O Zé, aquele primeiro

Chamava-se José Sócrates.
Chegou com promessas de modernidade, computadores para todos, obras públicas para encher o olho.
Mas saiu com o país falido, sob o peso da troika,
e com um ar de quem vai para Paris filosofar sobre o caos que deixou.

Não se demitiu com vergonha.
Fugiu. Com pose.
Enquanto Portugal cortava salários, congelava pensões e emudecia de humilhação.

E nunca mais ninguém o viu — senão em tribunais, entrevistas envenenadas, e livros que poucos leram.


Depois veio o Costa

Ar de homem ponderado, sorriso treinado.
Um conciliador profissional.
Limpou a imagem do partido. Geriu. Equilibrou contas.
Mas também geriu silêncios.
Nunca quis saber demais sobre o Zé.

E quando os fantasmas do pântano começaram a emergir — buscas, suspeitas, empresários amigos —
fugiu para Bruxelas.

Não como réu. Mas como comissário.
Uma fuga sem escândalo. Uma transição sem espanto.
Uma manobra à portuguesa.

E nunca mais ninguém o viu — pelo menos a responder às perguntas que interessam.


A porta giratória

Portugal tornou-se mestre em transformar figuras políticas em desaparecidos institucionais.
Hoje estão no poder.
Amanhã estão na ONU, na OCDE, em Bruxelas, em Paris, num conselho de administração qualquer.

E o povo?

O povo continua:

  • A pagar as dívidas que eles deixaram.
  • A esperar justiça que nunca chega.
  • A engolir discursos reciclados por novos rostos com os mesmos vícios.

A canção é sempre a mesma

Cantamos Abril,
mas vivemos Fevereiro:
o mês da fuga curta, do disfarce longo, da memória fraca.

O Zé fugiu.
O Costa fugiu.
E amanhã… alguém fugirá também.
Porque neste país, a impunidade apanha sempre o último avião.


Mas há quem se lembre.
Há quem escreva.
Há quem desenhe murais onde a verdade ainda pinga pelas fissuras do silêncio.

E enquanto isso acontecer —
eles fogem… mas nunca nos enganam para sempre.


Augustus Veritas
Observador de ausências, cronista do caos, sentinela do povo


Francisco Gonçalves, com mais de 40 anos de experiência em software, telecomunicações e cibersegurança, é um defensor da inovação e do impacto da tecnologia na sociedade. Além da sua actuação empresarial, reflecte sobre política, ciência e cidadania, alertando para os riscos da apatia e da desinformação. No seu blog, incentiva a reflexão e a acção num mundo em constante mudança.

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