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A Europa tornou-se perita em regular o passado, incapaz de inspirar o futuro

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A União Europeia e a Burocracia do Imposto: quando o poder deixa de criar e só sabe cobrar

2025-11-14
Uma reflexão crítica sobre a nova medida europeia que passa a taxar todas as encomendas abaixo de 150 euros — símbolo de uma Europa que já não inova, apenas arrecada.


Fragmentos do Caos




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BOX DE FACTOS

  • A UE vai começar a taxar todas as encomendas abaixo de 150 euros.
  • Medida justificada pelo “grande volume de mercadorias baratas importadas da Ásia e da China”.
  • Para muitos, é mais um passo na burocratização e perda de competitividade europeia.

A União Europeia e a Burocracia do Imposto: quando o poder deixa de criar e só sabe cobrar

“Quando a Europa deixa de sonhar, resta-lhe apenas a arte de cobrar.”

A mais recente medida da União Europeia — taxar todas as encomendas abaixo de 150 euros — é um símbolo perfeito daquilo em que nos tornámos: um continente que já não cria, apenas regula.
Uma civilização que, ao perder o ímpeto da inovação, encontra na burocracia a sua nova religião.

A rapidez da cobrança e a lentidão do progresso

É notável a agilidade com que Bruxelas consegue actuar quando se trata de impostos.
Tudo é célere: pareceres, votações, acordos.
Mas quando se fala de ciência, educação, energia limpa ou visão estratégica — o ritmo muda.
Multiplicam-se comissões, estudos e relatórios que morrem em gavetas douradas.
A União Europeia tornou-se uma máquina eficiente… no que não deveria ser.

Enquanto isso, os gigantes asiáticos reinventam o comércio digital, optimizam cadeias logísticas e desafiam os paradigmas da indústria global.
A resposta europeia? Taxar.
Sempre taxar.
Como se o peso da burocracia pudesse deter o fluxo do mundo.

O argumento da protecção

Dizem que a medida visa “proteger a economia europeia” das importações baratas vindas da Ásia.
Mas proteger o quê, se já pouco produzimos?
O que é apresentado como defesa da indústria é, na verdade, um acto de desespero fiscal — o reflexo de uma União incapaz de competir pela criatividade e pela produtividade, e que escolhe competir pela penalização.

Entre a fiscalidade e a decadência

Portugal segue o mesmo caminho: o de um Estado que já não governa, apenas administra carências e cobra impostos.
A UE, com a sua teia de directivas e a sua fé na uniformização, transforma-se num espelho ampliado da nossa mediocridade nacional.
A diferença é apenas a escala — a mentalidade é a mesma.

Em vez de simplificar, complexifica.
Em vez de libertar, regula.
Em vez de investir na inteligência, investe na cobrança.
E, assim, o velho continente vai-se convertendo num grande cartório, com selo digital e alma de papel.

O futuro hipotecado

Ao taxar as pequenas encomendas, a UE não está apenas a arrecadar cêntimos — está a hipotecar o futuro da economia digital europeia.
Empreendedores, criadores e consumidores serão novamente os sacrificados de um sistema que pensa como tesouraria, não como civilização.
Nenhum império sobrevive apenas com impostos.
Nenhum povo floresce sob o peso do formulário.

Conclusão — o espírito que falta à Europa

A Europa precisa de reencontrar a sua chama.
A coragem de voltar a ser o espaço das ideias, da ciência e da criação.
Enquanto se limitar a cobrar, a regular e a punir, continuará a afundar-se na irrelevância que ela própria construiu.
O que falta não é dinheiro — é visão.
E sem visão, nenhum imposto salvará o que resta do sonho europeu.


Francisco Gonçalves — Ensaísta e programador, crítico da mediocridade burocrática e defensor de uma Europa livre, criativa e inteligente.

Com coautoria de Augustus Veritas.

🌌 Fragmentos do Caos: BlogueEbooksCarrossel

Francisco Gonçalves, com mais de 40 anos de experiência em software, telecomunicações e cibersegurança, é um defensor da inovação e do impacto da tecnologia na sociedade. Além da sua actuação empresarial, reflecte sobre política, ciência e cidadania, alertando para os riscos da apatia e da desinformação. No seu blog, incentiva a reflexão e a acção num mundo em constante mudança.

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