Mediocridade
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Lisnave e Setenave: a ascensão e queda da indústria naval portuguesa de grande porte
BOX DE FACTOS Em 1961 inicia-se a construção da Lisnave na Margueira, Almada; em 1967 entra em funcionamento como um dos maiores estaleiros de reparação naval do mundo. A Lisnave chega a empregar perto de 10 mil trabalhadores e a reparar mais de uma centena de navios por ano durante o auge dos anos 70. A Setenave é concebida para construção de superpetroleiros, entra em operação em meados de 1975, já depois do choque petrolífero e sob nacionalização. A crise mundial dos superpetroleiros, a deslocalização da indústria para a Ásia, o peso da dívida e a entrada na CEE precipitam reestruturações, despedimentos e encerramentos. O estaleiro da Margueira é desactivado…
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Como Portugal Deixou Morrer a Fábrica que Fazia Comboios
BOX DE FACTOS Fundada em 1943, na Amadora, como peça central do plano de industrialização pesada do Estado Novo, inicialmente focada em equipamentos hidromecânicos para barragens. 1 A partir dos anos 50 torna-se o principal construtor ferroviário português, com licença da norte-americana Budd para fabricar material circulante em aço inox canelado. 2 No auge, na década de 70, emprega cerca de 4.000 trabalhadores e exporta para Europa, África, América Latina e Ásia. 3 Anos 80–90: reestruturações sucessivas, entrada da ABB, criação do grupo SENETE e integração na ADtranz, transformam a fábrica de construtor integrado em simples unidade de montagem. 4 2001: Bombardier compra a ADtranz; a SOREFAME passa a Bombardier…
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Máquinas do PRR, discurso de Inverno e o Verão que nos assombra
BOX DE FACTOS Em 10 de Dezembro de 2025, o Primeiro-Ministro Luís Montenegro entregou maquinaria de prevenção em Baião e voltou a apelar à gestão antes do fogo, afirmando que 2025 foi “muito elucidativo”. O Governo anunciou a realocação de cerca de 52 milhões de euros do PRR para reforçar a prevenção, incluindo aquisição de tratores e equipamento para gestão de combustíveis, com distribuição por municípios e equipas de sapadores. O Orçamento do Estado para 2026 prevê mexidas na estrutura e organização do dispositivo de prevenção e combate aos incêndios rurais e reforço da profissionalização da primeira intervenção nos bombeiros. Existe um quadro estratégico de longo prazo: o Plano de…
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Seattle, licenças perpétuas e o Estado refém: o método invisível do lock-in tecnológico
BOX DE FACTOS Desde pelo menos 2011, autarcas portugueses foram convidados a visitar a sede da Microsoft em Seattle, com alojamento e refeições pagos pela empresa e viagens suportadas por câmaras municipais. Investigações jornalísticas revelaram que várias autarquias que aceitaram estas viagens contrataram, nos anos seguintes, milhões de euros em licenças e serviços Microsoft, muitas vezes por ajuste directo. Em 2017, a Procuradoria-Geral da República confirmou estar a recolher elementos sobre as viagens oferecidas a titulares de cargos públicos. Em 2024, pelo menos um presidente de câmara foi constituído arguido por eventual recebimento indevido de vantagem relacionado com estas deslocações. Em 2025, o Ministério Público arquivou o inquérito, considerando as…
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Portugal: A Medalha do Ano e a Hipnose do Século
BOX DE FACTOS Um bom desempenho num ano específico não equivale a mudança estrutural de estatuto económico. Economias pequenas podem destacar-se em percentagem sem ganhar escala, produtividade e poder tecnológico comparável às grandes potências. A euforia mediática tende a confundir performance momentânea com transformação histórica. O risco português crónico é celebrar títulos de ocasião enquanto adia o trabalho duro da produtividade, salários e inovação. O verdadeiro teste não é o ranking do ano; é a década que se segue. A Medalha do Ano e a Hipnose do Século Um país pode ter um ano brilhante e continuar a sofrer de uma década cinzenta. O problema não é o aplauso. É…
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Trump, a Europa e a Diplomacia em Ruínas
BOX DE FACTOS Trump volta a atacar verbalmente líderes europeus, classificando a Europa como politicamente fraca e em decadência. Afirma que apoiará explicitamente forças e líderes europeus alinhados com a sua visão estratégica. Minimiza o papel europeu na guerra da Ucrânia e sugere novas eleições ucranianas. Não exclui o uso de força militar na Venezuela, evocando um regresso a lógicas de poder bruto. O tom público e confrontacional arrisca aumentar a fragmentação europeia e corroer a previsibilidade diplomática dos EUA. Trump, a Europa e a Diplomacia em Ruínas Há líderes que falam como estadistas. E há outros que falam como tempestades. O problema não é a força do vento —…
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A Idolatria da Juventude em TI: Quando o País Confunde Velocidade com Sabedoria
BOX DE FACTOS Existe um preconceito recorrente em TI que associa juventude a competência automática e experiência a obsolescência. Dominar ferramentas é diferente de dominar consequências, riscos e arquitectura de sistemas. Projectos robustos exigem memória técnica, visão estratégica e cicatrizes reais de produção. O melhor ecossistema tecnológico é intergeracional, combinando ousadia com prudência. A preferência por perfis muito jovens pode esconder motivos económicos e culturais mais do que motivos técnicos. A Idolatria da Juventude em TI Em Portugal, há quem confunda mãos rápidas com mente profunda. Como se a juventude fosse uma framework e a experiência um bug. O resultado é um país que tenta construir catedrais com lógica de…
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O Comboio da Memória Perdida: da SOREFAME ao Protótipo da Autoestima
BOX DE FACTOS Portugal teve capacidade industrial ferroviária sólida no século XX, com memória forte associada à SOREFAME. O país viveu décadas de perda de escala, descontinuidade estratégica e dependência externa no material circulante. Surge agora um protótipo nacional de três carruagens financiado por fundos públicos, apresentado como marco histórico. O contraste entre passado produtivo e presente celebratório expõe uma ferida profunda da política industrial portuguesa. Sem continuidade de encomendas e visão de longo prazo, o protótipo arrisca tornar-se símbolo de autoengano nacional. O Comboio da Memória Perdida Houve um tempo em que Portugal não anunciava a capacidade de fazer carruagens como quem descobre um continente. Fazia-as. E enviava-as para…
- Assalto a "coisa pública", Corrupção, Domesticação mentes, Elites patéticas, Manipulação da verdade, Mediocridade, Nepotismo, País de Desigualdades e Injustiça
Portugal -Cinquenta Anos a Navegar à Vista: a democracia sem bússola
1️⃣ BOX DE FACTOS Portugal cumpre cerca de 50 anos de democracia sem um consenso sólido e duradouro sobre um plano estratégico nacional para 10-15 anos. Os ciclos eleitorais e a lógica de curto prazo têm substituído reformas estruturais por medidas de impacto imediato. A ausência de metas públicas e auditáveis enfraquece a responsabilização política. Sem continuidade, cada governo recomeça o país como se o futuro fosse um projecto descartável. 2️⃣ Cinquenta Anos a Navegar à Vista 3️⃣ Não é falta de ideias. É falta de coluna vertebral histórica. O país tem futuro, mas continua sem mapa. 4️⃣ Em cinquenta anos de democracia, Portugal especializou-se num talento estranho: gerir o…
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O País da Gola e do Gume: quando a Justiça chega a pé e a factura vem a cavalo
1️⃣ BOX DE FACTOS Segundo notícia do Público de 8 de Dezembro de 2025, a defesa de arguidos do caso das “golas antifumo” já terá custado ao Estado até hoje 137 mil euros. Terá havido compromissos de despesa até ao final de 2026 e possibilidade de escolha de defensor pelos arguidos. O patrocínio público em processos desta natureza reacende o debate sobre limites, transparência e reembolso em caso de condenação. O arrastar dos julgamentos em Portugal continua a corroer a confiança cívica e a alimentar a percepção de impunidade. 2️⃣ O País da Gola e do Gume 3️⃣ Há crimes que começam no papel e acabam na paciência do povo.…





























