Trump liga para o suporte técnico do Kremlin
Trump liga para o suporte técnico do Kremlin
Quando a democracia dá erro, há sempre quem tente reiniciar o sistema.
Nota de abertura: Uma chamada fictícia ao apoio técnico do Kremlin. Qualquer semelhança com uma avaria democrática é matéria de sátira.
Washington, Estados Unidos. A Casa Branca atravessa mais uma daquelas fases em que Donald Trump descobre que governar uma democracia é bastante mais complicado do que administrar um casino.
Entre tribunais, jornalistas inconvenientes, congressistas teimosos e cidadãos que insistem em ter opinião própria, o sistema político americano parece apresentar sucessivos erros de funcionamento.
Desesperado, Trump decide recorrer à assistência técnica internacional.
Pega no telefone vermelho e marca directamente para Moscovo.
— Vladimir? It's Donald! I have a serious problem!
— Donald, meu amigo! Que se passa agora?
— My democracy is not working! Os juízes não obedecem, os jornalistas fazem perguntas e os eleitores continuam a pensar pela própria cabeça!
Putin suspira, com a paciência de um técnico informático perante um utilizador que não leu o manual.
— Donald, já experimentaste desligar a democracia e voltar a ligá-la?
— Yes! But the Constitution keeps restarting!
— Ah! Tens um problema de permissões administrativas. Na Rússia resolvemos isso há bastante tempo.
— Fantastic! Can you send me the software?
— Posso, mas atenção: o programa é incompatível com eleições livres, imprensa independente e separação de poderes.
— That's perfect! Absolutely beautiful software!
Putin faz uma pausa.
— Há, contudo, um pequeno inconveniente.
— What?
— O sistema só funciona enquanto ninguém puder desinstalar o presidente.
Trump fica pensativo.
— Vladimir, that's exactly the feature I need!
Do outro lado da linha, ouve-se uma voz automática:
«Obrigado por contactar o suporte técnico do Kremlin. A sua chamada poderá ser monitorizada para efeitos de segurança nacional. A sua, naturalmente.»

E assim termina mais uma sessão de assistência informática geopolítica.
Nota Editorial
Esta crónica é uma obra de sátira política. O diálogo é inteiramente fictício e utiliza o humor para explorar as tensões entre o exercício do poder, os limites constitucionais e os princípios democráticos.
Porque, no fim de contas, a democracia tem uma característica que desespera todos os aspirantes a administradores absolutos:
O povo não é um periférico. E a Constituição não é um ficheiro que se possa apagar com a tecla Delete.
Fragmentos do Caos — Onde até a democracia precisa de uma firewall.
Augustus Veritas
Fragmentos do Caos
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