A magia com que nascemos
A magia com que nascemos
Infância, liberdade e a lenta domesticação do espanto
Nota de abertura:
Há um instante, no início de cada vida, em que o mundo ainda não está concluído.
Tudo pode adquirir outro nome, outra forma e outro destino. A infância nasce nesse território sem fronteiras: antes da prudência, antes da conformidade e antes de alguém nos explicar, com a solenidade habitual dos adultos, quais são os sonhos considerados razoáveis.
Quando nascemos, trazemos connosco uma espécie de luz antiga.
Não sabemos ainda o nome das coisas, mas talvez seja precisamente por isso que as vemos com maior intensidade. O mundo não está dividido entre o útil e o inútil, o possível e o impossível, o sensato e o absurdo. Uma pedra pode ser um planeta. Uma caixa de cartão pode transformar-se num navio. Uma sombra na parede pode esconder um animal pré-histórico, um fantasma ou uma passagem secreta para outro universo.
A infância é o tempo em que a realidade ainda não conseguiu fechar todas as portas.
Uma criança não olha apenas para uma árvore. Vê uma casa suspensa, um reino de folhas, um gigante adormecido ou um lugar onde talvez os pássaros conversem quando os humanos se afastam. Não vê apenas uma poça de água. Vê um oceano suficientemente vasto para nele caber uma aventura.
É essa a magia com que nascemos.
A inteligência anterior às fronteiras
Não se trata de ingenuidade, nem de ignorância. É uma forma primitiva e poderosa de inteligência. A criança ainda não aprendeu a limitar o mundo ao que já foi explicado. Observa, inventa, pergunta, experimenta, aproxima coisas distantes e cria sentidos onde os adultos apenas vêem objectos.
Nessa idade, a imaginação não é uma fuga da realidade. É uma maneira de a explorar.
A criança pergunta por que razão o céu é azul, para onde vai o vento, se as estrelas dormem durante o dia, por que motivo os pássaros não caem e quem ensinou as formigas a trabalhar em conjunto. Os adultos, ocupados com assuntos supostamente sérios, respondem por vezes com impaciência, como se a humanidade não tivesse começado precisamente com alguém a fazer perguntas incómodas.
A curiosidade infantil é ciência antes da ciência.
A criança experimenta. Cai. Repete. Desmonta. Junta peças que nunca foram feitas para estar juntas. Descobre que um objecto pode ter usos que ninguém previu. Aprende com o corpo inteiro, com os olhos, com as mãos, com o medo e com o espanto.
Ainda não conhece a vergonha de errar.
Ainda não sente a obrigação de parecer inteligente.
Ainda não aprendeu que há ideias que devem ser escondidas por parecerem demasiado estranhas.
O amor, os conselhos e os medos herdados
Depois começa a educação.
Primeiro, a educação informal da família. Quase sempre movida pelo amor, mas também pelos receios acumulados de outras gerações. Os pais querem proteger os filhos da dor, do fracasso, da rejeição e do sofrimento. Contudo, ao tentarem protegê-los do risco, podem protegê-los também da aventura.
Dizem-lhes para não subir demasiado alto, para não sonhar em excesso, para escolher caminhos seguros, para evitar profissões incertas, para não contrariar quem sabe mais e para respeitar aquilo que sempre foi respeitado.
Mas quem sabe mais nem sempre imagina melhor.
Cada família transmite valores, mas também medos, silêncios, frustrações e fronteiras invisíveis. Há crianças que crescem livres para perguntar e outras que aprendem cedo que certas perguntas perturbam a ordem da casa. Há crianças que recebem conselhos e conservam o direito de duvidar. Outras recebem ordens apresentadas como verdades definitivas.
A diferença é imensa. O conselho reconhece a existência de uma consciência em formação. A imposição parte do princípio de que essa consciência deve ser moldada até caber no mundo já existente.
No primeiro caso, a criança aprende a pensar. No segundo, aprende a obedecer.
Os pais, quase sempre, educam com aquilo que possuem. E aquilo que possuem é a sua experiência, mas também as suas feridas. Tentam preparar os filhos para o futuro usando mapas desenhados no passado. Fazem-no por amor, embora o amor, essa entidade tão celebrada, não seja imune ao medo nem à repetição.
Assim, uma geração entrega à seguinte não apenas aquilo que aprendeu, mas também aquilo que nunca conseguiu superar.
A escola e a fábrica da normalidade
Mais tarde chega a escola.
A escola poderia ser o lugar onde a magia encontra o conhecimento. Onde o espanto se transforma em investigação, a curiosidade ganha método e a imaginação recebe instrumentos para construir. Poderia ser o lugar onde cada criança descobre não apenas o que o mundo é, mas também aquilo em que o mundo ainda se pode tornar.
Contudo, demasiadas vezes, transforma-se numa fábrica de normalidade.
A criança entra cheia de perguntas e aprende a responder apenas ao que lhe perguntam.
Aprende a sentar-se quieta, a respeitar horários, a memorizar conteúdos, a repetir modelos e a desconfiar do erro. Descobre que há uma resposta certa, uma forma adequada de pensar e uma margem estreita para a diferença.
A escola mede aquilo que consegue contar. Classifica a memória, a velocidade, a disciplina, a capacidade de repetição e o grau de adaptação. Mas raramente sabe medir a originalidade de uma pergunta, a força de uma intuição, a coragem de uma dúvida ou a beleza de uma ideia que ainda não encontrou linguagem.
É mais fácil avaliar quem decorou uma fórmula do que perceber quem compreendeu o problema. É mais fácil premiar quem repete um raciocínio conhecido do que reconhecer quem encontrou um caminho novo. É mais cómodo ensinar respostas do que conviver com perguntas para as quais ninguém possui ainda solução.
A educação formal foi profundamente marcada pelas necessidades de sociedades industriais: pontualidade, disciplina, alfabetização e execução de tarefas previsíveis. A escola herdou, por isso, muito da estrutura da fábrica: horários rígidos, campainhas, grupos organizados por idade, tarefas uniformes, avaliação padronizada e autoridade central.
O século mudou. A escola, em muitos lugares, continua a tocar a campainha.
Eis uma das grandes ironias do nosso tempo: exigimos criatividade, inovação e pensamento crítico aos adultos, depois de passarmos anos a recompensá-los por obedecer, repetir e não perturbar.
Queremos profissionais capazes de imaginar soluções novas, mas educamos crianças para seguir instruções antigas.
Queremos cidadãos livres, mas ensinamo-los a procurar aprovação.
Queremos inovação, mas tratamos o erro como falha moral.
Queremos pensamento crítico, desde que a crítica não incomode demasiado.
A criatividade torna-se então uma palavra decorativa, usada em discursos, planos pedagógicos e apresentações de PowerPoint, esse instrumento moderno criado para transformar qualquer ideia viva numa sequência de rectângulos cansados.
A lenta domesticação do espanto
Entretanto, a imaginação vai sendo coberta.
Não desaparece completamente. Fica soterrada sob obrigações, comparações, exames, expectativas familiares e medo do ridículo. O adulto aprende a dizer que certas coisas são impossíveis antes sequer de as tentar. Aprende a não fazer perguntas para não parecer ignorante. Aprende a esconder o entusiasmo, como se o entusiasmo fosse um defeito de maturidade.
Pouco a pouco, aquilo que era impulso transforma-se em prudência. A curiosidade torna-se especialização. A imaginação torna-se passatempo. A liberdade torna-se escolha dentro de um catálogo limitado.
E o adulto começa a acreditar que cresceu, quando muitas vezes apenas se adaptou.
Talvez seja esse um dos grandes equívocos da condição humana: confundir maturidade com resignação.
Crescer deveria significar compreender melhor, não sonhar menos.
A maturidade não devia ser a morte da infância, mas a sua continuação consciente. O conhecimento deveria ampliar o espanto. A ciência deveria tornar o universo ainda mais misterioso. A filosofia deveria mostrar-nos que cada resposta abre novas perguntas. A tecnologia deveria ser uma extensão da imaginação humana, não apenas uma ferramenta de produtividade, vigilância e controlo.
Quanto mais conhecemos o universo, mais extraordinário ele se torna. Sabemos que cada corpo é feito de matéria produzida no interior de estrelas desaparecidas. Sabemos que o cérebro humano contém milhares de milhões de neurónios ligados numa arquitectura que ainda compreendemos apenas parcialmente. Sabemos que a vida emergiu da matéria e começou, em algum momento remoto, a observar-se a si própria.
Perante isto, como pode o conhecimento destruir o espanto? Só uma educação profundamente burocratizada consegue transformar o universo numa matéria aborrecida.
A infância que sobrevive nos criadores
Os grandes criadores conservaram sempre qualquer coisa da infância.
Não necessariamente a inocência, mas a capacidade de olhar para o habitual como se fosse novo. Viram caminhos onde os outros viam paredes. Interrogaram verdades antigas. Brincaram seriamente com ideias improváveis. Recusaram aceitar que o mundo estava concluído.
Talvez o génio seja apenas a infância que conseguiu sobreviver.
Einstein imaginava-se a viajar sobre um raio de luz. Leonardo desenhava máquinas que o seu tempo não podia construir. Ada Lovelace percebeu que uma máquina de cálculo poderia um dia trabalhar não apenas com números, mas também com símbolos. As grandes transformações começaram muitas vezes como perguntas que pareciam infantis, absurdas ou impraticáveis.
E se fosse possível voar?
E se a Terra não fosse o centro do universo?
E se uma máquina pudesse pensar?
E se a matéria não fosse sólida?
E se a doença tivesse causas invisíveis?
O progresso humano nasceu repetidamente do direito de duvidar.
Educar sem cortar as asas
Por isso, educar uma criança não deveria significar ensiná-la a abandonar a magia, mas ajudá-la a protegê-la.
Dar-lhe raízes, sem lhe cortar as asas.
Mostrar-lhe os perigos, sem transformar o medo numa prisão.
Ensinar-lhe o passado, sem a obrigar a repeti-lo.
Dar-lhe conhecimento, mas também silêncio, liberdade e espaço para imaginar.
Uma criança não é um recipiente vazio à espera de ser preenchido. É um universo em formação.
Talvez a responsabilidade dos adultos seja menos a de moldar esse universo e mais a de impedir que ele seja prematuramente reduzido. Porque o mundo já possui gente suficiente a repetir velhas certezas. O que lhe falta são seres humanos capazes de ver para além delas.
Uma educação verdadeiramente humana deveria ensinar a pensar e não apenas a responder. Deveria ensinar a dúvida sem destruir a confiança. Deveria ensinar a liberdade sem confundi-la com indiferença. Deveria ensinar responsabilidade sem recorrer ao medo. Deveria permitir que cada pessoa descobrisse a sua voz, em vez de passar a vida a imitar vozes antigas.
A liberdade tem um preço
Mas a liberdade também exige coragem.
Quem cresce livre para pensar descobre cedo que o pensamento independente tem um preço. Quem duvida incomoda. Quem questiona estruturas parece insolente. Quem propõe soluções novas ameaça aqueles que construíram a sua autoridade sobre a repetição das antigas.
A sociedade tolera melhor a originalidade depois de ela ter sido reconhecida. Antes disso, chama-lhe imprudência, arrogância ou loucura.
Por isso, preservar a magia da infância não significa viver numa fantasia permanente. Significa conservar a capacidade de imaginar alternativas, mesmo quando o mundo insiste em apresentar o presente como inevitável.
A imaginação é uma forma de liberdade.
Antes de uma injustiça poder ser vencida, alguém tem de imaginar uma sociedade mais justa. Antes de uma tecnologia poder ser criada, alguém tem de imaginá-la. Antes de uma prisão interior poder ser abandonada, alguém tem de conceber a possibilidade de viver de outro modo.
A imaginação não é um luxo poético. É a primeira infra-estrutura do futuro.
Uma sociedade que destrói a imaginação das crianças compromete o seu próprio amanhã. Poderá formar trabalhadores obedientes, consumidores previsíveis e cidadãos respeitadores da ordem. Mas dificilmente formará seres humanos capazes de renovar essa ordem quando ela se tornar injusta, absurda ou inútil.
Regressar à criança que fomos
A infância contém essa força inaugural.
A criança ainda acredita que o mundo pode ser alterado. Ainda não aceita os limites como naturais. Ainda não sabe que muitas regras existem apenas porque gerações sucessivas desistiram de as questionar.
Talvez seja por isso que os adultos se sintam, por vezes, desconfortáveis perante crianças demasiado curiosas. Elas recordam-nos aquilo que abandonámos.
Dentro de cada adulto existe ainda a criança que fazia perguntas sem pedir autorização. A criança que olhava para uma caixa de cartão e via um navio. A criança que acreditava que as coisas podiam ser diferentes.
Ela não desapareceu.
Foi coberta por anos de prudência, medo, conveniência e adaptação. Continua lá, à espera de um momento de silêncio, de uma ideia inesperada ou de uma paisagem capaz de reabrir o horizonte.
Talvez uma das tarefas mais importantes da vida adulta seja regressar até ela. Não para abandonar a razão, mas para a libertar. Não para rejeitar a experiência, mas para impedir que ela se transforme numa prisão. Não para viver no passado, mas para recuperar a força com que um dia imaginámos o futuro.
Nascemos com o dom da magia.
A vida tenta convencer-nos de que se trata apenas de fantasia. Mas talvez a verdadeira
fantasia seja o mundo rígido que construímos depois: feito de limites artificiais,
tradições intocáveis, profissões escolhidas por medo, opiniões herdadas e sonhos
abandonados em nome da prudência.
Dentro de cada adulto existe ainda um oceano. Por vezes, basta voltar a olhar
para a velha caixa de cartão.
Uma reflexão essencial sobre educação e criatividade
Nesta conferência histórica apresentada na TED em 2006, Sir Ken Robinson
questiona se os sistemas educativos estão a desenvolver a criatividade
natural das crianças ou se, pelo contrário, as estão progressivamente
a educar para fora dela.
Sir Ken Robinson
Nota Editorial
Esta crónica parte de uma convicção pessoal: a criança não chega ao mundo vazia,
à espera de ser preenchida, mas dotada de curiosidade, imaginação e uma extraordinária
disponibilidade para descobrir. A investigação contemporânea sobre desenvolvimento
infantil, brincar e aprendizagem confirma a importância das relações responsivas,
da exploração livre, da criatividade e do pensamento crítico. O texto não pretende
acusar pais ou professores, quase sempre também herdeiros dos limites do seu tempo.
Pretende recordar que educar deveria ampliar possibilidades, não reduzir uma pessoa
ao molde mais conveniente para a sociedade existente.
Uma Nota Pessoal
Esta reflexão nasce também da minha própria experiência de vida.
Tive a felicidade de crescer num ambiente de grande liberdade. Os meus pais aconselhavam-me, alertavam-me para os riscos e transmitiam-me os valores que consideravam importantes, mas nunca procuraram transformar os seus conselhos em ordens absolutas. Eu ouvia-os com respeito, mas conservava o direito de duvidar, de pensar por mim e de escolher o meu caminho.
Essa liberdade foi decisiva. Desde muito novo, aprendi que respeitar a experiência dos outros não significa renunciar ao nosso próprio julgamento.
Um conselho pode iluminar um caminho, mas não deve substituir a consciência de quem o percorre. Os meus pais deram-me raízes, mas não me prenderam ao chão.
Talvez tenha sido por isso que, ao longo da minha vida, nunca aceitei facilmente
a ideia de que alguma coisa era impossível apenas porque ainda ninguém a tinha conseguido fazer. Aos dezassete anos descobri a programação e encontrei nela uma extensão natural da imaginação. Programar era transformar pensamento em realidade, construir soluções onde antes existiam apenas dificuldades e demonstrar que muitos limites eram, afinal, hábitos disfarçados de certezas.
Durante toda a minha vida profissional, mantive essa atitude. Perante um problema, procurava compreendê-lo, questionava os métodos existentes e imaginava uma solução diferente. Muitas vezes ouvi que algo era demasiadi difícil, prematuro ou impraticável. Aprendi a escutar essas opiniões, mas também a desconfiar delas. A experiência ensinou-me que a frase “não é possível” significa frequentemente apenas “ainda não descobrimos como”.
Reconheço, porém, que a liberdade que tive não é a experiência da maioria.
Vi muitas pessoas crescerem condicionadas pelos medos das famílias, pelas expectativas sociais e por sistemas educativos que premiavam a obediência mais do que a curiosidade. Vi capacidades extraordinárias serem reduzidas
pela insegurança, pela necessidade de aprovação e pelo receio de contrariar aquilo que sempre fora considerado normal.
Por isso, esta crónica não é apenas uma celebração da infância. É também uma defesa da liberdade de pensar. Acredito que educar não é fabricar uma cópia
melhorada de nós próprios. É ajudar outro ser humano a descobrir quem pode vir a ser. É transmitir experiência sem impor destino. É aconselhar sem
aprisionar. É ensinar a reconhecer os perigos sem transformar a prudência numa muralha.
Hoje, olhando para trás, percebo que uma das maiores dádivas que recebi foi o direito de conservar a dúvida. Pude ouvir os meus pais, respeitá-los e, ainda assim, seguir o meu próprio pensamento. Pude errar, aprender, recomeçar e construir uma vida orientada pela curiosidade, pela criação e pela liberdade.
Talvez tenha sido essa liberdade que me permitiu preservar, ao longo dos anos, uma parte da magia da infância: aquela que nos faz olhar para um problema e imaginar uma solução; aquela que nos impede de aceitar o mundo como
definitivamente concluído; aquela que nos recorda que, dentro de cada ser humano, continua a existir um horizonte por abrir.
Francisco Gonçalves
Fragmentos do Caos, 2026
Referências credíveis
- Center on the Developing Child at Harvard University,
“Serve and Return: Back-and-Forth Exchanges”.
As interacções responsivas entre a criança e os adultos cuidadores desempenham um papel
central na arquitectura cerebral e no desenvolvimento inicial. - UNICEF e LEGO Foundation,
“Learning through Play”, 2018.
O brincar permite à criança explorar o mundo, atribuir-lhe sentido e desenvolver
imaginação e criatividade. - Stéphan Vincent-Lancrin et al., OECD,
“Fostering Students’ Creativity and Critical Thinking”,
2019. Estudo internacional sobre ambientes educativos que favorecem a criatividade
e o pensamento crítico. - Cynthia Luna Scott, UNESCO,
“The Futures of Learning 2: What Kind of Learning for the 21st Century?”,
2015. Defende uma aprendizagem orientada para o pensamento crítico, a criatividade,
a colaboração e a capacidade de resolver problemas. - Center on the Developing Child at Harvard University,
“How to Motivate Children: Science-Based Approaches for Parents, Caregivers, and Teachers”,
2019. A motivação intrínseca para aprender começa na infância e pode ser estimulada
ou reprimida pelas experiências proporcionadas pelos adultos.
Francisco Gonçalves
Fragmentos do Caos
FC-Chronic-News


