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Ex-ICL no Facebook – Censura sem Lápis Azul: a nova polícia do pensamento em versão digital

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BOX DE FACTOS
  • Contexto: Publicação de um artigo crítico sobre a história e cultura organizacional da ICL Portugal.
  • Ocorrência: Remoção do artigo de um grupo de ex-ICL no Facebook, sem explicação, contraditório ou direito de resposta.
  • Nota histórica: Entre 1973 e 1974, o autor publicou artigos no “Jornal do Fundão”, sujeitos à censura da DGS.
  • Ironia central: A censura digital de hoje é mais opaca e menos responsável do que a censura oficial de ontem.


Censura sem Lápis Azul

ou a Elegância Perdida da Repressão Moderna

A censura antiga tinha rosto, assinatura e coragem.
A censura moderna tem botão, anonimato e cobardia.

1. A nova polícia do pensamento: discreta, mas diligente

O meu artigo sobre a história da ICL Portugal foi recentemente removido de um grupo de ex-colegas no Facebook.
Sem explicação.
Sem contraditório.
Sem aviso.
Sem diálogo.

Apenas… apagado.

O acto é pequeno. Insignificante.
O significado é enorme.
E não percebem que a história não se apaga.

Não estamos a falar de insultos, nem de ataques pessoais, nem de difamação.
Estamos a falar de memória histórica, análise crítica e reflexão organizacional.

Mas aparentemente, em 2025, isso é perigoso.

2. Uma breve lição de História (para quem se esqueceu dela)

Entre 1973 e 1974, ainda em pleno regime anterior ao 25 de Abril, assinei vários artigos de opinião no antigo, místico e corajoso Jornal do Fundão.

Esses textos eram submetidos à censura da DGS.

E aqui deixo um registo que talvez surpreenda alguns dos zeladores digitais de hoje:

A DGS era, em certo sentido, mais educada.
Riscava a lápis azul as frases que considerava inaceitáveis e indicava que deveriam ser alteradas para autorizar a publicação.

Havia um censor.
Havia um risco.
Havia um aviso.
Havia uma possibilidade de reformulação.

Havia, imagine-se, responsabilidade.

3. A censura contemporânea: sem rosto, sem ética, sem coragem

Hoje, não.

Hoje não se risca.
Apaga-se.

Hoje não se dialoga.
Silencia-se.

Hoje não se assume.
Esconde-se atrás de um clique.

É a censura perfeita para tempos fracos:
não deixa marcas, não exige justificação, não admite réplica.

É limpa.
É rápida.
É covarde.

4. O verdadeiro incómodo: não foi o tom, foi o espelho

Convém esclarecer algo com absoluta limpidez:

O meu artigo não atacava pessoas.
Não difamava ninguém.
Não diminuía colegas.

Fazia algo muito mais grave para certos espíritos:
analisava um sistema, expunha uma cultura, nomeava um declínio.

E quando se toca em:

  • mediocridade instalada,
  • vaidades internas,
  • jogos de poder,
  • memórias selectivas,

…há sempre quem prefira partir o espelho a rever o rosto.

5. Nota pessoal aos censores de ocasião

A quem decidiu apagar, silenciar ou sancionar:

não estão a defender a honra de ninguém.
Estão apenas a confirmar, com gesto pequeno, exactamente aquilo que o texto denunciava:
a fragilidade cultural perante a crítica.

Se pensam que eliminar um artigo apaga uma história, enganam-se.

A história não se apaga.
Apenas se repete — quase sempre em versões mais pobres.

6. Epílogo: prefiro a censura assumida à repressão disfarçada

Digo-o com serenidade e sem nostalgia:

prefiro o lápis azul assumido à borracha invisível.
Prefiro o censor identificado ao moderador anónimo.
Prefiro o risco explicado ao silêncio imposto.

Porque pelo menos o primeiro tinha a decência de existir.

O segundo… limita-se a esconder-se.

E quem se esconde da palavra, normalmente tem medo do pensamento.

Francisco Gonçalves
Crónica para Fragmentos do Caos
Nota: este texto não visa pessoas, mas práticas. Não visa ferir, mas clarificar. Não visa dividir, mas iluminar.


ADENDA À CRÓNICA CENSURADA

Esta secção existe para repor contexto e rigor histórico — talvez porque alguns prefiram uma memória amputada da história.
Aqui não há ataques pessoais: há datas, dinâmicas organizacionais e uma explicação clara do que mudou e porquê.

BOX DE FACTOS
  • Período: Inícios da década de 1980 até final dos anos 80.
  • Empresa: ICL Portugal (subsidiária da ICL UK).
  • Director-Geral histórico: José Luís Pina.
  • Ponto de inflexão: Páscoa de 1987 — afastamento do Director-Geral por grave acidente cardiovascular.
  • Expressão-chave (do próprio):Uma confissão pessoal do próprio :“Criei um saco de gatos.”. Sei como lidar.
  • Leitura central: O declínio não resulta de uma pessoa, mas da libertação de um sistema informal de poder: vaidades, facções, interesses particulares e competição interna.
  • Esclarecimento essencial: A minha crítica à mediocridade instalada não é dirigida ao novo Director-Geral, mas ao “saco de gatos” soltos, que o rodeou e influenciou.
  • Possível erro de gestão (se existiu): não ter percebido a tempo que estava a ser mal aconselhado e, em certos casos, manipulado.


ICL Portugal: Da Brisa da Inovação ao Labirinto da Mediocridade

Uma Análise Histórica e Organizacional

As organizações não colapsam apenas por erros estratégicos.
Colapsam, sobretudo, quando a vaidade substitui a visão, quando o jogo interno se sobrepõe ao projecto colectivo e quando os “gatos” deixam de estar no saco.

Conclusão: Quando a inovação tem alma

A ICL Portugal, nos primeiros anos da década de 80, era um raro exemplo de empresa tecnológica com ambição, visão e cultura de excelência.
Não se tratava apenas de vender sistemas – tratava-se de construir soluções, abrir caminhos, ligar instituições, derrubar limites técnicos.

Quem viveu esse período sabe: havia exigência, havia rigor, havia inteligência técnica e havia, sobretudo, liderança real. Contestada por alguns, sim ! discutível, talvez … mas “nunca se pode agradar a gregos e troianos”, literalmente.
Essa liderança tinha nome: José Luís Pina.

A crónica sob o titulo : O Projecto da ICL Portugal – Da Brisa da Inovação à Apologia da Mediocridade


[ 2025 ]

🌌 Fragmentos do Caos: BlogueEbooksCarrossel

Francisco Gonçalves, com mais de 40 anos de experiência em software, telecomunicações e cibersegurança, é um defensor da inovação e do impacto da tecnologia na sociedade. Além da sua actuação empresarial, reflecte sobre política, ciência e cidadania, alertando para os riscos da apatia e da desinformação. No seu blog, incentiva a reflexão e a acção num mundo em constante mudança.

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