Ficção política,  Livros,  Sátira

Portugal, República do Quase — nasce uma ficção política sobre o país que quase consegue

Spread the love








Lançamento editorial · Ficção política e sátira

Portugal, República do Quase

Crónicas do último país da Europa onde o futuro está sempre em aprovação

Por Francisco Gonçalves · Fragmentos do Caos · 24 de Julho de 2026

Capa do livro Portugal, República do Quase
Uma ficção política escrita a partir dos arquivos de um país que nunca deixa uma promessa envelhecer sem lhe encomendar um novo estudo.

Nasce hoje Portugal, República do Quase, uma obra de ficção política, sátira democrática e arqueologia do absurdo nacional.

O livro parte de uma pergunta aparentemente simples: como explicaria um historiador do futuro a democracia portuguesa do início do século XXI, esse sistema onde os governos anunciam estabilidade com a mesma frequência com que convocam eleições e onde cada esclarecimento costuma produzir duas dúvidas novas, ambas acompanhadas por um comentador em directo?

A resposta chega através de Afonso Quântico, investigador interplanetário do ano de 2126, enviado pelo Instituto de Arqueologia Democrática de RK23-Sábio para estudar uma antiga república terrestre chamada Portugal. Segundo os arquivos oficiais, encontraria uma democracia moderna, reformista, digital e estrategicamente posicionada. Segundo os documentos reais, descobriria um país ocupado a criar comissões, antecipar eleições, inaugurar futuros e explicar o presente depois de este já ter causado danos.

Portugal não era uma democracia perfeita. Era uma democracia fatigada, barulhenta, contraditória e permanentemente em obras. Mas continuava a permitir que qualquer cidadão dissesse que o Governo era ridículo e regressasse a casa sem ser perseguido.

Um país observado a partir do futuro

A distância temporal e interplanetária oferece ao narrador aquilo que falta frequentemente ao debate político: perspectiva. Afonso Quântico observa os nossos rituais sem os considerar naturais. Não compreende por que motivo os partidos celebram resultados eleitorais que os deixaram mais pequenos, por que razão um Governo pergunta ao Parlamento se confia nele quando já conhece a resposta, nem por que milagre administrativo uma reforma pode avançar à velocidade da luz sem abandonar o comunicado onde foi anunciada.

Do fim do ciclo de António Sereno à ascensão de Luís Montepardo, da Firma Filosofal ao Ministério das Explicações Tardias, o livro transforma acontecimentos reconhecíveis numa realidade paralela chamada Lusitânia Democrática. Os nomes são ficcionados; os hábitos, infelizmente, não exigiram grande invenção.

A sátira percorre a queda de governos, eleições destinadas a resolver eleições, linhas vermelhas que adquirem tonalidades negociais, empresas familiares de natureza quase metafísica, moções de autodesconfiança, reformas supersónicas e o aeroporto que atravessa gerações sem perder a juventude oficial.

A República do Quase em números

80 páginas · 13 capítulos · cerca de 18 mil palavras · um epílogo, uma cronologia ficcional, um guia de personagens e um arquivo de documentos oficiais que nenhum ministério admitiria ter produzido, embora vários pudessem perfeitamente tê-los assinado.

Treze capítulos para compreender o quase

1. O Reino da Consciência Tranquila

2. O Presidente que Falava Antes dos Acontecimentos

3. Eleições para Resolver as Eleições

4. A Entrada de Luís Montepardo

5. Não é Não, Excepto Quando é Talvez

6. A Firma Filosofal

7. O Ministério das Explicações Tardias

8. A Moção de Autodesconfiança

9. A Campanha do Medo Moderado

10. O Povo Devolve o Comando

11. Reformas à Velocidade da Luz

12. O Novo Aeroporto da Esperança

13. A República do Quase

Humor com espinha dorsal

Este não é um livro contra a democracia portuguesa. É um livro escrito porque ela existe e porque ainda permite ser criticada, caricaturada e corrigida. A sátira não procura substituir a análise por gargalhadas; usa o riso para retirar solenidade ao poder e devolver nitidez aos factos.

Por baixo dos nomes cómicos, dos comunicados imaginários e das circulares absurdas, há uma questão séria: pode uma democracia continuar formalmente livre enquanto normaliza a irresponsabilidade, a opacidade, a ausência de consequências e a substituição persistente da execução pela comunicação?

Afonso Quântico chega a uma conclusão desconfortável, mas esperançosa. Portugal sobrevive não graças à perfeição dos seus dirigentes, mas porque os cidadãos ainda podem votar, protestar, investigar, publicar e rir-se deles. Em muitos lugares e em demasiados períodos da História, essa liberdade custou sangue. Aqui, por vezes, custa apenas paciência, impostos e uma quantidade pouco saudável de debates televisivos.

A democracia portuguesa não morreu. Limita-se a viver permanentemente internada em observação, rodeada por políticos que garantem estar tudo controlado enquanto procuram discretamente o manual de instruções.

Uma edição criada para ler e conservar

A obra foi preparada em quatro edições digitais complementares: DOCX, com composição editorial e paginação cuidada; PDF, preservando integralmente as 80 páginas e a identidade gráfica; EPUB, adaptável a leitores electrónicos, tablets e telemóveis; e HTML autónomo, com capa embebida, índice navegável, tema claro e escuro e leitura responsiva em desktop e mobile.

A apresentação procura prolongar o próprio espírito do livro: azul-noite, dourado, documentos de arquivo, notas institucionais e uma capa onde a democracia parece simultaneamente edifício, palco e estaleiro. Nada demasiado distante da experiência quotidiana.

Nova publicação · Fragmentos do Caos

Portugal, República do Quase

Uma ficção política sobre um país que quase cresce, quase reforma, quase esclarece, quase responsabiliza e, apesar de tudo, continua a ser livre o suficiente para rir de si próprio.

O livro e o espelho

A ficção política tem uma vantagem sobre o comentário diário: não precisa de correr atrás da última polémica. Pode procurar os mecanismos que sobrevivem aos protagonistas. Os nomes mudam; permanecem a devoção pelo anúncio, a liturgia do esclarecimento, a comissão como refúgio e o estranho talento para confundir estabilidade com a ausência temporária de eleições.

É por isso que Portugal, República do Quase não pretende ser apenas um retrato de um governo ou de um período. É uma fábula democrática sobre um país que possui inteligência, liberdade, talento e recursos, mas continua a permitir que o quase se instale entre a promessa e a realização.

Talvez o riso não governe melhor. Mas ajuda a reconhecer quem governa mal. E, numa democracia, ver com clareza continua a ser o princípio de quase todas as correcções.

Nota editorial

Portugal, República do Quase é uma obra de ficção e sátira política. As personagens, instituições ficcionadas, diálogos, circulares e documentos imaginários são construções literárias, embora se inspirem em acontecimentos públicos, padrões institucionais e comportamentos reconhecíveis da democracia portuguesa contemporânea. O livro não atribui crimes ou factos ocultos a pessoas reais. A sátira observa o poder, exagera os seus rituais e defende a liberdade que permite criticá-lo.

Francisco Gonçalves
Fragmentos do Caos, 2026


🌌 Fragmentos do Caos: BlogueEbooksCarrossel

Francisco Gonçalves, com mais de 40 anos de experiência em software, telecomunicações e cibersegurança, é um defensor da inovação e do impacto da tecnologia na sociedade. Além da sua actuação empresarial, reflecte sobre política, ciência e cidadania, alertando para os riscos da apatia e da desinformação. No seu blog, incentiva a reflexão e a acção num mundo em constante mudança.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Contactos