Corrupção,  Elites patéticas,  Mediocridade,  Nepotismo

Proibir a Liberdade, Gradualmente e com Elegância

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Os Democratas do Silêncio — Quando a Liberdade Incomoda o Poder

Box de Factos:
Miguel Sousa Tavares afirmou recentemente que se deviam “proibir gradualmente as redes sociais”. Um pensamento revelador da nova aristocracia de opinião — aquela que ama a democracia, desde que o povo não fale demasiado.

Disse Miguel Sousa Tavares, com o seu habitual tom de superioridade moral: “Deviam proibir gradualmente as redes sociais.”
Eis o democrata de pacotilha em plena forma — defensor da liberdade apenas quando ela serve os seus pares e o seu conforto de cronista consagrado.

As redes sociais são, sem dúvida, um espelho deformado do nosso tempo: há nelas ruído, ódio e desinformação. Mas também há verdade, denúncia e consciência. Foram elas que expuseram canalhas, trafulhas e hipócritas que durante décadas viveram impunes sob o manto protetor de uma comunicação social domesticada.

Antes das redes, o povo só falava no café. Agora fala em todo o lado — e isso, para os donos do discurso, é intolerável. A plebe ganhou voz, e a aristocracia intelectual treme.
Por isso, os “democratas de pacotilha” sonham com a censura revestida de boas intenções: dizem querer combater o ódio, mas o que temem é o escrutínio.
Não suportam a ideia de que alguém os confronte sem pedir licença.

Sim, as redes sociais são um campo minado — mas também são o último bastião da palavra livre. E é precisamente essa liberdade, crua e imprevisível, que aterroriza os que vivem de opinião paga e de colunas amaciadas pela publicidade institucional.

A democracia não precisa de menos vozes. Precisa de mais inteligência.
E se há algo que verdadeiramente devia ser “proibido gradualmente”, é a arrogância dos que confundem autoridade com sabedoria e censura com civilização.

As redes sociais são um caos, sim — mas é nesse caos que ainda nasce a verdade.
E talvez, um dia, o país aprenda que a liberdade não se filtra, nem se concede: conquista-se.
E defende-se, palavra a palavra, contra todos os democratas do silêncio.


— Fragmentos do Caos, série “Contra o Teatro da Mediocridade”

🌌 Fragmentos do Caos: BlogueEbooksCarrossel

Francisco Gonçalves, com mais de 40 anos de experiência em software, telecomunicações e cibersegurança, é um defensor da inovação e do impacto da tecnologia na sociedade. Além da sua actuação empresarial, reflecte sobre política, ciência e cidadania, alertando para os riscos da apatia e da desinformação. No seu blog, incentiva a reflexão e a acção num mundo em constante mudança.

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