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Uma Europa a caminho da irrelevância tecnológica

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Opinião • Série Europa em Fragilidade

Soberania sem tecnologia: o beco europeu

por Francisco Gonçalves11 setembro 2025

A soberania do século XXI não se mede apenas em território ou exércitos — mede-se em chips, algoritmos e redes.
E a Europa, que já foi centro de excelência em ciência e inovação, no sec XX, hoje tropeça entre dependências externas. Um continente que não controla a sua tecnologia não controla o seu destino.


O atraso europeu

A Europa perdeu o comboio da revolução digital. Não lidera nos semicondutores, onde Taiwan e os EUA dominam; não lidera na inteligência artificial, onde EUA e China disputam a hegemonia; não lidera sequer no 5G, onde empresas chinesas impõem o ritmo. Resultado: a Europa compra, mas não cria.

Dependência disfarçada de cooperação

Os líderes europeus falam de “parcerias tecnológicas”. Mas a realidade é uma dependência crua: servidores norte-americanos, nuvens estrangeiras, algoritmos importados, plataformas sociais que moldam opiniões sem regulação eficaz.
A soberania digital, nesse cenário, é uma ficção.

“Um continente sem tecnologia própria é um continente sem voz.”

A armadilha geopolítica

Sem tecnologia, a Europa torna-se vassala estratégica. Depende dos EUA para defesa digital e inteligência artificial aplicada à segurança; depende da China para baterias, 5G e componentes críticos; depende até da Índia para serviços digitais de larga escala.
Esta tripla dependência mina qualquer ambição de autonomia.

O preço da ingenuidade

Enquanto investiu em regulamentações e discursos moralistas, a Europa esqueceu-se do essencial: investir pesado em inovação. Os fundos comunitários fluíram, mas raramente para projetos estruturantes. Em vez de laboratórios e fábricas de chips, financiaram-se consultorias, seminários e relatórios.
A consequência é clara: o know-how europeu esvai-se.

Conclusão

Não há soberania sem tecnologia. Não há independência sem algoritmos próprios, chips próprios e redes próprias.
A Europa pode continuar a moralizar, mas enquanto depender dos outros para o essencial, será apenas um cliente no supermercado global.
A pergunta é simples: terá coragem para deixar de ser consumidora e voltar a ser criadora?


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Francisco Gonçalves, com mais de 40 anos de experiência em software, telecomunicações e cibersegurança, é um defensor da inovação e do impacto da tecnologia na sociedade. Além da sua actuação empresarial, reflecte sobre política, ciência e cidadania, alertando para os riscos da apatia e da desinformação. No seu blog, incentiva a reflexão e a acção num mundo em constante mudança.

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