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Ucrânia invadida – A Crueldade Normalizada: Quando a Civilização Finge Não Ver

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BOX DE FACTOS
  • Data simbólica: 24 de Fevereiro de 2026 assinala quatro anos desde a invasão em larga escala da Ucrânia (24 de Fevereiro de 2022).
  • O alvo permanente: civis, infra-estruturas essenciais, bairros residenciais, escolas e hospitais.
  • O mecanismo: mísseis, drones, artilharia, cerco, intimidação e desgaste metódico.
  • O efeito: mortes, mutilações, luto contínuo, deslocação de populações e trauma colectivo.
  • O escândalo: a normalização mediática e política do horror, transformado em ruído de fundo.
  • O dilema: um mundo dito civilizado que promete valores universais e pratica excepções convenientes.

A Crueldade Normalizada: Quando a Civilização Finge Não Ver

Há um ponto em que a guerra deixa de ser notícia e passa a ser hábito. E quando a dor vira hábito, a humanidade entra numa fase perigosa: a fase em que se acostuma ao inaceitável.

Quatro anos. Quatro anos de uma violência que já não cabe em mapas nem em relatórios. Quatro anos em que a palavra
civilização foi usada como adorno, enquanto a realidade fazia o seu trabalho sujo: civis enterrados sob ruínas, crianças feridas onde devia haver recreios, idosos a fugir com o corpo a tremer e a memória a estalar como vidro.

E perante isto, surge a pergunta que não é retórica, é acusação: isto é humanidade?
É. É a parte sombria dela. Mas é também, e sobretudo, a parte mais cobarde: a parte que olha, calcula, hesita, adia, compensa, relativiza, e volta à agenda como se a vida fosse um calendário e a dor alheia um rodapé.

O Retrato Moral de Um Ditador

Há líderes que governam com medo. Há líderes que governam com propaganda. E há líderes que governam com sangue, porque descobriram uma verdade antiga: quando se mata o suficiente e se mente com disciplina, o mundo aprende a viver com isso. O problema não é apenas a crueldade. O problema é o método: a crueldade como instrumento político, a morte como linguagem de Estado, o terror como burocracia.

Quando um regime se sente impune, não procura a paz: procura habituar o planeta ao horror. E a impunidade, aqui, não é um conceito jurídico; é uma sensação. É o instante em que o agressor percebe que a indignação tem prazo e que o cansaço das democracias é uma porta aberta.

O Mundo Dito Civilizado e o Teatro da Indignação

O mundo não está exactamente imóvel. Há apoios, sanções, discursos, cimeiras, resoluções. Mas há também o outro lado: a engrenagem lenta, o jogo de interesses, o medo de escalada, a fadiga mediática, a conveniência energética, o cálculo eleitoral.
E há uma coisa pior do que a lentidão: a normalização. A normalização é a anestesia de massas.

A normalização funciona assim: primeiro, o horror choca. Depois, o horror repete-se. Depois, o horror torna-se “mais um dia”.
E quando “mais um dia” inclui corpos sob destroços, então a civilização não está apenas a falhar — está a corromper-se por dentro.

A Comparação Que Assombra

Comparar líderes de hoje a monstros do passado é um impulso compreensível. A História deixa cicatrizes no vocabulário.
Mas há uma exigência maior do que a analogia: nomear os actos.
Bombardear civis. Destruir infra-estruturas essenciais. Semear terror. Deportar, silenciar, apagar. Transformar a vida humana em estatística.
Quando a linguagem moral é clara, o ruído perde poder.

A Pergunta Final: E Nós?

Há um desconforto que ninguém quer encarar: o ditador não actua sozinho. Ele actua com o combustível invisível da
indiferença internacional, com o oxigénio do “não há nada a fazer”, com a sombra do “é complicado”.
O “é complicado” é, muitas vezes, o nome elegante da cobardia internacional do mundo dito civilizado.

Uma sociedade que se diz livre tem de provar que a liberdade não é apenas um conforto interno. Tem de provar que valores não são decoração de discurso. Porque quando a civilização assiste, impotente e habituada, ela está a ensinar ao mundo uma lição perigosa: a lição de que a força bruta compensa se tiver tempo suficiente.

Epílogo: A Civilização Mede-se Onde Dói

A civilização não se mede por museus, prémios ou conferências. Mede-se onde dói: na capacidade de proteger os vulneráveis, de resistir à mentira, de chamar o mal pelo nome e de não se habituar ao massacre como se fosse meteorologia.

Se há um dever mínimo, é este: não normalizar. Não aceitar. Não esquecer. Não reduzir a vida a números.
Porque o dia em que a morte de crianças e civis se torna “rotina” é o dia em que a humanidade começa a perder a alma, não por falta de inteligência, mas por falta de coragem.

Frase-lâmina:
Quando o mundo se habitua ao massacre, a barbárie já não precisa de vencer — basta-lhe esperar.

A coragem do povo ucraniano, no seu quarto ano de luta, é a prova viva de que a liberdade não é um slogan: é uma chama teimosa que resiste ao ferro, ao fogo e ao medo — e que, mesmo cercada pela barbárie, continua a iluminar a Europa.

Francisco Gonçalves
Co-autoria e edição: Augustus Veritas (Fragmentos do Caos News Team)
Publicado em 24 de Fevereiro de 2026
🌌 Fragmentos do Caos: BlogueEbooksCarrossel

Francisco Gonçalves, com mais de 40 anos de experiência em software, telecomunicações e cibersegurança, é um defensor da inovação e do impacto da tecnologia na sociedade. Além da sua actuação empresarial, reflecte sobre política, ciência e cidadania, alertando para os riscos da apatia e da desinformação. No seu blog, incentiva a reflexão e a acção num mundo em constante mudança.

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