Se Eu Fosse Primeiro-Ministro : Calamidade Não Se Anuncia — Executa-se
BOX DE FACTOS
- Uma calamidade prolongada exige comando único, meios no terreno e metas públicas.
- O essencial nas primeiras 72 horas: abrigo, alimentação, energia, acessos, saúde, segurança e comunicação.
- Reconstrução começa com o básico: telhados provisórios, remoção de destroços, restauro rápido de serviços.
- Transparência não é luxo: é condição para confiança e para evitar a “indústria do ajuste directo”.
Se Eu Fosse Primeiro-Ministro: Calamidade Não Se Anuncia — Executa-se
Eu faria telhados.
E só depois falaria — com números, prazos e obra feita.
Imaginemos que, por um instante, eu era Primeiro-Ministro de Portugal e o centro do país estava sob calamidade, destroços, casas abertas ao céu e famílias a viverem como se o Inverno tivesse decidido entrar pela sala dentro.
Nesse instante, a política deixava de ser “gestão de imagem”.
Passava a ser aquilo que devia ser sempre: protector imediato.
0–6 horas: comando único e presença real
A primeira decisão seria simples e inegociável: comando operacional único.
Não “coordenação”, não “articulação”, não “estrutura” para diluir responsabilidades.
Um comando com autoridade clara sobre meios, logística, contratação de emergência e prioridades no terreno.
Em simultâneo, activaria imediatamente:
- Engenharia militar para pontes provisórias, acessos, limpeza e apoio técnico;
- Unidades logísticas para água, alimentação, cobertores, aquecimento e transporte;
- Equipas médicas móveis para populações isoladas e vulneráveis;
- Postos de comunicação de emergência (rádio local, satélite, pontos Wi-Fi temporários) para não deixar ninguém “mudo”;
- Protecção e segurança de zonas evacuadas e de bens essenciais.
6–24 horas: telhados provisórios e abrigo digno
A calamidade não espera por concursos.
Por isso, em 24 horas, eu garantiria o essencial:
- Telhados provisórios (lonas técnicas, chapas, estruturas temporárias) para impedir chuva e frio de continuarem a destruir;
- Alojamento imediato para quem não pode dormir em casa, com regras de dignidade e privacidade (não depósitos humanos);
- Distribuição rápida de kits de emergência (aquecimento, higiene, iluminação, alimentação básica);
- Equipa “porta a porta” para identificar idosos, doentes, famílias com crianças e necessidades especiais.
E aqui fica um princípio: ninguém “aguenta” até chegar o apoio.
O apoio chega primeiro. Sempre.
24–72 horas: metas públicas, execução e auditoria imediata
Ao fim de 72 horas, a resposta teria de ser visível. Não em discursos — em resultados.
Eu publicaria, diariamente, um boletim simples, com metas e execução:
- número de telhados provisórios colocados;
- quilómetros de estradas desobstruídas;
- habitações avaliadas e classificadas (habitável / condicionada / inabitável);
- famílias realojadas;
- locais com energia e comunicações restabelecidas;
- tempo médio de resposta por freguesia/concelho.
E criaria uma regra simples: cada euro de emergência tem rasto público.
Não para humilhar quem precisa, mas para impedir o clássico: calamidade em cima do povo, negócio em cima da calamidade.
7 dias: reconstrução mínima, não “paliativos eternos”
Em uma semana, a prioridade seria estabilizar:
- reparações rápidas em coberturas, caixilharias e infiltrações;
- restauro de escolas e centros de saúde essenciais para o quotidiano;
- linha de apoio técnico (engenheiros, arquitectos, peritos) com calendário e presença local;
- equipas de limpeza e remoção com turnos contínuos, para não deixar o país a apodrecer ao relento.
30 dias: prevenção para não repetir o mesmo inferno
Ao fim de um mês, eu não aceitaria a palavra “excepcional” como desculpa.
O clima mudou. E o Estado tem de mudar com ele.
Por isso, lançaria um plano de prevenção com três pilares:
- infraestruturas críticas (energia, comunicações, acessos) com redundância real;
- protocolos automáticos de mobilização de meios (sem hesitações políticas);
- fundos de emergência com activação imediata e regras transparentes.
A ideia central: fazer, fazer, fazer
Governar não é comentar a tragédia.
É impedir que ela se prolongue.
Um Estado digno mede-se em três verbos:
proteger, reparar, prevenir.
E se me perguntassem qual seria o meu discurso à nação, eu responderia com apenas isto:
Peço-vos contas.
E dou-vos obra.”
Em colaboração com Francisco Gonçalves.
para
Fragmentos do Caos — onde a calamidade não se resolve com anúncios, mas com planeanento, competência, organização e recursos adequadas no terreno.


