A Geração do Slogan: jovens formatados, tribais e analfabetos políticos com juízos em rajada
- Uma parte da juventude foi treinada a repetir slogans antes de aprender a pensar.
- O debate foi substituído por etiquetas: rótulo acima de argumento.
- O tribalismo político funciona como futebol sem bola: “os meus” contra “os outros”.
- O moralismo instantâneo cria tribunais de 7 segundos: contexto morto, indignação viva.
- Sem pensamento crítico não há liberdade — há pertença e obediência disfarçada.
A Geração do Slogan: tribos, moral instantânea e analfabetismo político
Não lhes falta indignação — falta-lhes leitura do mundo.
E sem pensamento crítico, a juventude não se torna livre: torna-se útil.
É triste ver uma parte desta nova geração a caminhar com a cabeça cheia… e o espírito vazio. Não é falta de inteligência: é excesso de formatação.
Foram educados num aquário de slogans, onde a água é morna, a opinião vem pré-mastigada e a coragem consiste em repetir o que a tribo já aprovou.
O resultado é uma caricatura: jovens com discurso “engajado” mas sem gramática política; com moral em alta rotação e pensamento em marcha-atrás.
Não discutem ideias — fiscalizam pessoas. Não constroem argumentos — coleccionam rótulos. Não procuram verdade — procuram aplauso.
A política virou futebol — e o país virou bancada
Chamam-lhe política, mas é tribalismo. E tribalismo é o nome bonito para uma doença antiga: substituir o pensamento pela pertença.
A tribo dá-lhes identidade instantânea, amigos automáticos, inimigos prontos, e um vocabulário de combate que dispensa estudo.
É “os nossos” contra “os outros”, com a convicção típica de quem não leu, não viveu e não pagou a conta.
O debate, esse animal raro, foi abatido. Hoje, contradizer é “violência”, discordar é “ataque”, perguntar é “provocação”.
O mundo real — complexo, contraditório, imperfeito — é reduzido a um meme de bolso. E a partir desse meme, fazem-se julgamentos como quem atira pedras: rápido, em grupo, e com a consciência limpa.
O tribunal dos 7 segundos
A nova religião não tem altar; tem feed. Não tem padres; tem influencers. Não tem bíblia; tem recortes.
Um vídeo cortado em 7 segundos vale mais do que um livro lido em 7 dias. Contexto? Enterrado. Nuance? Suspeita.
E, no entanto, sentem-se “conscientes” — como se consumir opinião fosse sinónimo de pensar.
Mas consumir opinião não é pensar. Pensar dá trabalho, exige silêncio, tolera dúvida, aprende com a realidade.
Consumir opinião é rápido, dá adrenalina, oferece pertença e, sobretudo, dá a ilusão de virtude sem custo.
É moral de micro-ondas: aquece em segundos e arrefece ao primeiro contrato, ao primeiro imposto, à primeira renda, à primeira injustiça a sério.
A indignação como produto, o pensamento como ameaça
Alguém lhes vendeu uma mentira confortável: que indignação é coragem. Não é. Indignação pode ser apenas vício.
A coragem verdadeira é estudar, confrontar as próprias crenças, aceitar a complexidade, ouvir o outro sem o reduzir a caricatura.
Isso dá trabalho. E dá solidão. E por isso é raro. Mas não há cidadania nem democracia sem esse estudo e trabalho.
A democracia nao é algo que se herda e já está garantida. É algo que se conquista diáriamente.
O sistema adora esta juventude “activista” quando ela é previsível, programável, repetidora.
Porque uma juventude que não pensa é perfeita: é combustível emocional para causas de curto prazo e silêncio de longo prazo.
Não muda o poder; apenas muda a decoração.
Epílogo: acordem, antes que vos usem até ao osso
Acordem. Leiam. Aprendam a distinguir justiça de espectáculo. Liberdade de permissão. Debate de linchamento.
Um país não se salva com slogans. Salva-se com pensamento, carácter e coragem — daquelas que não cabem num post.
Sem pensamento crítico não há liberdade. Há apenas pertença. E a pertença, quando substitui a razão, transforma cidadãos em rebanhos modernos: com telemóvel na mão, última geração e modelo Apple para dar estilo, certezas na cabeça, e a vida a passar-lhes ao lado tal como a democracia.
A liberdade já atravessou a fronteira
Hoje temos jovens organizados em partidos e ideologias gastas, tribos de garganta aberta, gritos e slogans como se isso fosse pensamento.
Mas pensamento profundo? Isso nem mortos. Há demasiado ruído e pouca ideia; demasiada certeza e quase nenhuma compreensão.
E quando a política vira claque, a liberdade torna-se decoração. Fica escrita em papel, mas já não vive na cabeça das pessoas.
O debate morre, a nuance é suspeita, a dúvida é crime — e a verdade passa a ser apenas uma arma ao serviço da tribo.
Num país assim, a liberdade já saiu pela janela e atravessou a fronteira.
Ficou cá o que sobra quando o pensamento abdica: obediência com megafone, moral em piloto automático, e um futuro empurrado para “logo se vê” e ” sempre foi assim”.
Um pais assim não está morto, esta só mal enterrado.
Caro leitor se a verdade incomodar, que incomode: pior seria a consciência adormecida.
E se incomoda pode levar a reflexão.


